Opinião: Rosália Amorim

E se 97% dos seus ‘clientes’ lhe dessem nota negativa?

Fotografia: DR
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A carga fiscal do sistema português é avaliada negativamente por 97% das empresas. As conclusões são de um estudo da EY, a propósito do Orçamento do Estado 2020. O preço da energia continua a ser um custo de contexto em Portugal e 95% das empresas assumem mesmo ser urgente a redução da taxa de IVA aplicada à eletricidade e 93% defendem a redução no gás natural para despenalizar os preços finais. Falando noutro custo de contexto, 92% das empresas participantes consideram negativo o acesso e a celeridade do sistema de justiça fiscal. No IRC e IRS também 95% consideram que a competitividade de Portugal face a outros países exige alterações. As queixas não ficam por aqui: 92% dos inquiridos defendem o fim da tributação dupla (isto é, o IMT e imposto de selo, na aquisição de bens imóveis; e 82% das empresas gostariam que o Orçamento do Estado para 2020 exigisse menos custo e esforço no cumprimento de obrigações declarativas. Em meia dúzia de pontos está feito o raio x ao OE 2020 do ponto de vista fiscal/empresarial.

Foram cem as empresas ouvidas, todas a operar no mercado português. As empresas lamentam ainda a dificuldade em planear o futuro num cenário de falta de estabilidade fiscal e consideram que este assunto penaliza a competitividade do país face a outros mercados internacionais, afastando investidores para outros destinos mais estáveis e com regimes mais favoráveis.

De acordo com os números que se podem ler neste estudo, há, portanto, muito a melhorar. A ver vamos se o governo, liderado pelo primeiro-ministro, António Costa, e com as Finanças nas mãos de Mário Centeno, nos surpreenderá na próxima segunda-feira, quando, à partida, for conhecida a proposta de OE para 2020.

Para dificultar as previsões e as contas para 2020, a nova presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, anunciou nesta quinta-feira um corte de crescimento da zona euro para apenas 1,1% em 2020.

Uma nota final para parabenizar Teresa Costa e Ilídia Pinto, jornalistas do DV, pela menção honrosa atribuída Prémio Centro PINUS de Jornalismo Florestal ao artigo Floresta vale mais de 1,3 mil milhões e está subaproveitada.

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