Opinião

É tempo de estabilidade e reformas

António Costa
(Gerardo Santos / Global Imagens
António Costa (Gerardo Santos / Global Imagens

O quadro parlamentar que resulta das eleições de 6 de outubro permite ao próximo Governo condições de estabilidade política nos próximos quatro anos.

Após um longo período eleitoral, que ocupou boa parte do ano, é tempo de reformas.
O quadro parlamentar que resulta das eleições de 6 de outubro permite ao próximo Governo condições de estabilidade política nos próximos quatro anos. Estou certo de que, independentemente do desfecho das negociações em curso, será agora mais fácil encontrar maiorias parlamentares de geometria variável que viabilizem as reformas de que o país carece.

Conto, para tal, com a responsabilidade de todas as forças políticas, conscientes que estão dos grandes desafios que irão condicionar o futuro de Portugal nos próximos anos.
Já aqui os identifiquei: transformação digital e tecnológica, a demografia, os mercados globais, o endividamento, a sustentabilidade ambiental. Todos estes desafios estão profundamente relacionados com a produtividade das empresas, seja oferecendo oportunidades que, se corretamente exploradas, potenciarão a sua evolução, seja como condição para que sejam enfrentados com sucesso.

A presente situação económica na Europa, o perigo de um Brexit desordenado, o aumento das tensões comerciais e geopolíticas são fatores externos adversos que, em grande medida, escapam ao nosso controlo. Mas esse não é motivo para continuar a adiar as reformas que, internamente, podemos e devemos pôr em prática. Reformas para colocar as empresas a gerar mais rendimentos, com mais produtividade.

Precisamos, de facto, de reformas que combatam os problemas que sucessivos governos não têm conseguido resolver: uma fiscalidade opressiva e instável; um sistema financeiro que não cumpre cabalmente a sua função de intermediação entre poupança e investimento; uma justiça lenta e ineficaz; custos de contexto alimentados por uma burocracia asfixiante; uma cultura de inovação pouco incentivada.

Para tal, o próximo Governo deverá envolver não só os partidos políticos, mas também a sociedade civil organizada, onde se inclui o movimento associativo empresarial.
Assistimos, nestas eleições, a um novo aumento da abstenção e à emergência (ou crescimento) de novos partidos políticos que designaria como “temáticos”, alguns deles com propostas radicais em certos domínios, mas sem uma visão global da realidade socioeconómica do país. Estes são, na minha opinião, sinais de que os partidos políticos ditos tradicionais e moderados estão a deixar de ser o motor da sociedade.

Para se revitalizarem e reconquistarem o seu protagonismo é preciso que, quer estejam no poder ou na oposição, se abram ao diálogo e ao contributo de uma sociedade civil ativa e plural e ponham o país acima dos seus interesses e questiúnculas internas.

O facto de o primeiro ministro indigitado ter recebido, esta semana, os parceiros sociais, para ouvir a sua opinião sobre a próxima legislatura é, a meu ver, um bom prenúncio que espero se venha a confirmar ao longo dos próximos quatro anos.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado Adjunto e das Finanças. 
( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

“Cidadãos não vão tolerar situações que ponham estabilidade financeira em risco”

Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado Adjunto e das Finanças. 
( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

“Cidadãos não vão tolerar situações que ponham estabilidade financeira em risco”

Lisboa, 22/11/2019 - Money Conference, Governance 2020 – Transparência e Boas Práticas no Olissippo Lapa Palace Hotel.  António Horta Osório, CEO do Lloyds Bank

( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

Horta Osório: O malparado na banca portuguesa ainda é “muito alto”

Outros conteúdos GMG
É tempo de estabilidade e reformas