É urgente planear o desconfinamento

Fechados em casa, lamentavelmente pelas piores razões, os números da pandemia têm estado a suavizar. Está na hora de avançarmos para um desconfinamento estratégico e bem planeado. Um tema sobre o qual ainda nada se conhece, à exceção da data em que o governo o promete anunciar, 11 de março.

Um bom planeamento reduzirá a incerteza com que as empresas têm lidado desde o início da pandemia.

Face à situação epidemiológica em Portugal, o estado de emergência foi prorrogado até 16 de março, com fundamento na verificação de situação de calamidade pública, sublinhando-se que "apesar da redução significativa de novos casos, bem como da taxa de transmissão, a incidência média continua elevada, bem como o número dos internamentos e de mortes, não sendo recomendado pelos peritos reduzir ou suspender, de imediato, as medidas de restrição dos contactos, sem que os números desçam abaixo de patamares mais geridos pelo SNS".

Como noutras áreas, também aqui é importante que Portugal faça o benchmarking com o que está a ser implementado noutros países. Aprender com os erros e com os bons exemplos é um sinal de inteligência.

O aumento da testagem, a vigilância de novas variantes e a prossecução do plano de vacinação - ao maior ritmo possível, por forma a alcançar rapidamente a imunidade de grupo - é uma estratégia lógica e que deve ser seguida.

Infelizmente, não antevejo um plano de desconfinamento que não tenha um caráter gradual, sob pena de não se poder garantir o seu sucesso sustentado. O grau de intensidade e abrangência devem ter por base informação objetiva, com o envolvimento dos peritos, com orientações claras e simples, com mais ambição, mais responsabilização e maior adesão à realidade adversa por que está a passar a economia e a sociedade. Os pequenos negócios de proximidade já deram provas de que conseguem funcionar cumprindo integralmente as normas da DGS.

Ao mesmo tempo que o país desconfina, o governo deve assegurar os apoios efetivos às empresas viáveis, para que possam permanecer no mercado.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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