Opinião

Economia Bem Viva

Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante
Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante

O ano de 2018, ficou marcado por diversos eventos marcantes na Economia e Política nacionais e internacionais. Encontramo-nos numa fase de reinvenção tecnológica sem precedentes no passado recente, que acarreta tanto benefícios como desafios para o nosso presente e futuro.

Começando pelo Euro, e, consequentemente, pelas fissuras do projeto europeu expostas pela crise, a política monetária tem-se apresentado como um paradoxo, devido às diferentes estruturas produtivas entre os países europeus. Mesmo após a recuperação do Euro, no pós-crise, novas ameaças têm surgido: divergência nas políticas públicas – como é o caso de Itália – e o crescimento do nacionalismo, que põem em causa o projeto europeu criado ao longo dos últimos setenta anos.

Do outro lado do globo, a guerra comercial norte-americana apresenta-se como questão fulcral. Desde janeiro de 2018 que os EUA têm imposto tarifas a importações, inicialmente chinesas, mas posteriormente alargadas a canadianas, mexicanas e europeias. Desde então, tanto a China como a UE têm vindo a retaliar com ações semelhantes. Tendo em consideração que o comércio entre os EUA e a UE representa 33% do comércio de produtos e 42% do comércio de serviços globalmente, é intuitivo o impacto que esta situação poderá ter na economia mundial.

Já em Portugal, vive-se hoje o período mais prospero da década, após ter reconquistado a confiança dos mercados financeiros. No entanto, vários problemas persistem, sendo o SNS um deles. A dívida galopante de 2,9 mil milhões, em 2017, segundo o relatório do Tribunal de Contas do mês passado, o desinvestimento ao longo das últimas décadas e os casos de má gestão, têm vindo a agravar um serviço outrora considerado dos melhores ao nível europeu, mesmo com os aumentos de orçamento nos últimos 3 anos.

Podemos, igualmente, relacionar o momento actual com o crescimento do turismo. Considerado por muito, como o motor da recuperação portuguesa, alcançou crescimentos anuais nas receitas de 20%. No entanto, isto tem vindo a ser associado à subida dos preços do imobiliário, sendo estes – em especial nos centros urbanos de Lisboa e Porto, onde o preço do m2 cresceu mais de 40% entre 2017 e 2018 nalgumas freguesias – atualmente considerados incomportáveis para os rendimentos nacionais.

Voltando ao Velho Continente: desde o início do século que a produtividade nos países europeus tem crescido pouco, tendo inclusive caído nalguns. Para Erik Brynjolfsson, professor no MIT, a Europa poderá estar a experienciar um fenómeno semelhante ao que ocorreu nos EUA durante os anos 70 e 80: uma estagnação da produtividade explicada pelo atraso na implementação da tecnologia de ponta no tecido corporativo, que ficou apelidada de Paradoxo de Produtividade. Uma das razões apontadas, prende-se com a possível discrepância na contabilização da produtividade, em especial dos meios digitais. No entanto, não existe ainda uma explicação concreta para a situação.

De entre estas tecnologias destacamos a Inteligência Artificial (IA): uma das mais inovadoras do momento. Desde a sua introdução, em 1956, foram registadas mais de 340 mil patentes (até 2016), tendo mais de metade ocorrido nesta década. No entanto, os alertas sobre a sua utilização da economia são vários e vindo de diferentes sectores: para Bill Gates, por exemplo, a IA poderá vir a entrar em “conflito com os objetivos dos sistemas humanos”, podendo vários empregos ser automatizados por completo. Simultaneamente, esta é uma oportunidade, se desenvolvida conscientemente, para criar novos empregos que substituirão os que serão perdidos.

Nenhuma das questões aqui colocadas tem uma resposta correta ou errada: são alvos de diferentes debates de ideias, soluções e conclusões. Um destes palcos será o ciclo de conferencias Economia Viva 2019, que se realizará pelo quarto ano consecutivo na Nova School of Business and Economics – agora em Carcavelos –, organizado pelo núcleo de Economia (Nova Economics Club) e a Associação de Estudantes (Nova Students’ Union). Convidamos o estimado leitor a consultar o nosso site (www.economiaviva.pt) e a juntar-se a nós entre os dias 11 e 15 de fevereiro.

Paulo Matos, aluno de Economia da Nova SBE
Este artigo é escrito no âmbito de uma parceria editorial Dinheiro Vivo e Nova Economics Club

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