Economia e ambiente: faces da mesma moeda

O mais recente Relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, das Nações Unidas, lançou um novo alerta vermelho para mundo, reacendendo a discussão em torno dos enormes desafios para limitar o aquecimento global.

Os cientistas apelam a medidas imediatas, rápidas e em larga escala, com ação concertada a nível mundial.

Não posso estar mais de acordo. Porém, como sublinhei no debate em que participei sobre este tema na SIC Notícias, é preciso conciliar a ambição climática com a competitividade das empresas. Eliminar a concorrência desleal de países que não cumpram os requisitos de uma atividade sustentável é apenas um de muitos aspetos a considerar.

Portugal tem ainda muito a fazer na dissociação entre crescimento económico e utilização de recursos naturais, atendendo a que a nossa produtividade dos recursos é ainda 67% da média europeia.

Vai demorar algum tempo. Estamos perante uma ambição que requer investimentos significativos, pelo que temos de apoiar devidamente as empresas, sobretudo no atual contexto adverso.

Terá de ser não só pela via do apoio direto à realização de investimento, mas também com instrumentos de capacitação, de sensibilização e disseminação de conhecimento, que estimulem a adoção de práticas inovadoras e ambientalmente sustentáveis. Temos de fazer chegar a mensagem certa e no tempo certo às empresas. É justamente o que a AEP tem feito com o Projeto EcoEconomy 4.0.

Por outro lado, é fundamental atuar nas qualificações e competências, com formação dos ativos - empregados e desempregados - para os propósitos da dupla transição digital e ambiental, áreas com amplas oportunidades no desenvolvimento de novos negócios.

Na transição climática, a indústria tem um elevado potencial, designadamente pela adoção do modelo de economia circular, contribuindo para que o nosso país seja menos dependente de alguns mercados e mais equilibrado do ponto de vista do saldo externo (pela redução da importação de matérias-primas, bens intermédios e outros). É de sublinhar que os dados mais recentes das exportações e do emprego mostram que a indústria está a ser o principal pilar da retoma.

Reafirmo, em todas estas áreas, Portugal deve orientar os recursos financeiros europeus (Plano de Recuperação e Resiliência e Portugal 2030), de uma forma descomplicada, célere e eficaz.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP-Associação Empresarial de Portugal

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