Economia e pandemia: o equilíbrio impossível

Nos últimos meses assistimos na União Europeia a uma tentativa falhada de procurar um equilíbrio que permitisse simultaneamente travar a pandemia e manter a economia em funcionamento, o que significa evitar o confinamento. Assim alguns países avançaram com formas de recolher obrigatório, imposição do uso de máscaras em recintos fechados, redução da capacidade de locais de convívio, como restaurantes, bares e discotecas, e dos parques desportivos. Ao mesmo tempo permitem que multidões partilhem transportes públicos apinhados, encham fábricas e escritórios pouco arejados, vivam em casas de pequenas com mais de 10 pessoas.

Tendo como pano de fundo um descofinamento da primeira vaga demasiado prematuro e abrupto, a estratégia do equilíbrio está a gerar uma segunda onda mais forte do que a primeira. Alguns jornais referem que esta segunda vaga não parece tão mortífera como a primeira, mas não referem dois fatores importantes: a saturação dos sistemas de saúde e o tempo que medeia entre a infeção e a morte.

A mortalidade da primeira vaga em países como a Itália e os EUA deveu-se em grande medida ao esgotamento dos sistemas de saúde. Sem tratamento os doentes morrem mais do que quando tratados. Uma verdade de La Palice. Em Portugal a capacidade hospitalar começa agora a ser testada.

Por outro lado muitas das infeções da segunda vaga chegam agora ao ponto crítico da doença e cada vez maiores números se lhe juntarão. Felizmente que alguns tratamentos resultam com certos pacientes, o que poderá reduzir a mortalidade. Mas, obviamente, só se estas pessoas forem tratadas. Nas próximas semanas saberemos os números mais relevantes.

Por outro lado é preciso não esquecer que se a luta contra o Covid for feita à custa do não tratamento das restantes doenças então o resultado final, medido em termos de excesso de mortes, será dramático como já o foi em Portugal na primeira vaga.

Como as meias medidas e o equilíbrio não funciona e o vírus só cede à impossibilidade de se transmitir, a pandemia continuará a expandir-se levando a que sejam tomadas medidas cada vez mais duras até ao novo confinamento como já está a acontecer em alguns países.

Este caminho gradualista é muito pior para a economia do que medidas mais radicais tomadas precocemente. A experiência chinesa parece inequívoca. A China já retomou o crescimento económico após um duro confinamento no princípio do ano e um confinamento localizado em Beijing. A China tem 3 mortos por milhão de habitantes, Singapura 5, o Japão 13, e Portugal 219, a Espanha 735, os EUA 686 e a Alemanha 119. Entre a Ásia e a Europa cavou-se um fosso que ilustra bem o declínio do velho continente.

A lição da Itália por outro lado mostrou que o não agir a tempo leva ao esgotamento dos hospitais e à morte de muitas pessoas. Simultaneamente os países que mais mortes têm são geralmente aqueles em que o impacto económico foi maior. A Espanha é o país que está a sofrer uma maior recessão logo seguida de Portugal.

Quanto mais tempo demorarmos a agir pior será. Quando mais rápido erradicarmos a infeção mais depressa recuperaremos a economia. Uma coisa é certa o Covid-19 não desaparece por motu proprio.

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