Economistas rejeitam PRR

A Ordem dos Economistas lançou um inquérito junto dos seus membros no sentido de apurar a opinião destes profissionais sobre o Plano de Recuperação e Resiliência em que o Governo pretende gastar os fundos públicos europeus que o nosso país vai receber. Os resultados não poderiam ser mais negativos.

Apenas 3% (três por cento) dos economistas estão plenamente confiantes que o PRR seja um mecanismo eficaz para reverter os efeitos da pandemia. Uns impressionantes 38% têm uma visão negativa do plano e quase 40% uma postura neutra.

Relativamente ao ano em curso, 2021, apenas 15% pensa que o país terá um crescimento acima de 2% com o grosso dos profissionais, divididos entre os 34%, que preveem que o crescimento ficará algures entre 0 e 2% e os 30% que anteveem que só em 2022 a economia voltará ao crescimento. Outro grupo, 19%, pensa que devido aos atrasos da vacinação apenas em 2023 teremos crescimento económico.

Sobre os principais obstáculos ao crescimento económico, os economistas elencam a burocracia, a Justiça, os custos de contexto e a situação de liquidez das empresas como os fatores que mais travam o avanço económico. Que fundos aloca o PRR para estas áreas? Poucos ou nenhuns.

Este é, sem dúvida, um sinal de alerta para o governo. Quando um grupo alargado de economistas qualificados levanta sérias reservas sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, o principal instrumento público de combate à pandemia, e à sua eficácia seria tempo de pensar em reforma-lo de forma significativa aproveitando esta pausa criada pela espera da decisão do Supremo Tribunal Alemão sobre a constitucionalidade da participação alemã neste novo mecanismo conjunto de endividamento europeu.

Tendo nascido torto, com o pedido a um único iluminado que, coisa nunca vista, desenhasse a estratégia nacional, e prescindindo dessa forma dos contributos dos portugueses, das associações patronais e sindicais, da academia, da sociedade civil, o Plano não congrega nem convoca o assentimento e o entusiasmo dos cidadãos. Dessa forma será difícil que tenha sucesso.

E como os economistas bem alertam a questão da Justiça, principalmente o combate à corrupção, é essencial para que estes fundos públicos europeus não se percam e possam ser aplicados no desenvolvimento de Portugal.

O relatório deste inquérito pode ser encontrado em www.ordemeconomistas.pt

* Economista MBA

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