Opinião: Pedro Rocha Vieira

Ecossistemas de gestão colaborativa

Fonte: Pixabay
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Existem muitos mitos relativamente à inovação, a verdade é que mesmo equipas inteligentes, excelentes planos de negócio, e organizações com muitos recursos não garantem o sucesso, é necessária capacidade de execução e liderança, inteligência emocional, atitude e mindset inovador e foco em progresso.

A maioria das empresas está a criar ecossistemas de inovação e a colaborar de forma estruturada com startups. Estão a criar infraestruturas tecnológicas abertas para poderem ser utilizadas por terceiros, a criar gestores de comunidade e de ecossistemas, novos modelos de relação com parceiros, e novos frameworks e culturas de trabalho.

Para se construir um ecossistema de inovação de sucesso existem três grandes dimensões: estratégia de inovação e narrativa; gestão de inovação, ou execução e aprendizagem; e prática de inovação, ou liderança de inovação, cultura e mindset.

A estratégia de inovação consiste em definit de forma clara a visão de inovação da empresa e, em segundo lugar ,na definição de uma estratégia de portfólio de inovação, que permita expressar a visão de forma balanceada ao longo de diferentes horizontes de inovação, curto, médio e longo prazo. Uma narrativa e uma estratégia poderosa são determinantes para ter uma equipa alinhada, motivada e a trabalhar para os mesmos objetivos.

Na gestão de inovação, é importante definir um framework de inovação que permita uma unificação da linguagem e ao mesmo tempo uma diferenciação da mesma para as diferentes fases de desenvolvimento. Sem uma linguagem unificada e sem a distinção clara das diferentes fases de desenvolvimento, baseadas em framework adequados, é difícil trabalhar de forma objetiva e eficaz.

Para além dos frameworks, é muito importante existir um accountability de inovação claro, com kpi’s apropriados para cada fase, e a capacidade de medir a evolução e decidir rapidamente onde focar as principais apostas de inovação.

Executar projetos de inovação é muito mais contraintuitivo e ambíguo do que executar projetos normais, pois requer a capacidade de imaginar algo novo, de abraçar a incerteza de várias dimensões do processo, capacidade de aprender enquanto se executa, de desaprender e relativizar crenças e certezas, ser capaz de sair da lógica do benchmarking, para uma lógica de novo, criação e disrupção. Muitas empresas e gestores experientes falham redondamente neste tema.

Por fim, a prática de inovação está muito relacionada com a experimentação, com a validação dos nossos pressupostos, a capacidade de a empresa ser capaz de comunicar com o exterior, e falar com os clientes, ao mesmo tempo que é capaz de quebrar barreiras e silos internos para criar novas dinâmicas e comportamentos. Gerir equipas de inovação é muito diferente de gerir equipas de execução.

A inovação é uma atividade intrinsecamente multidisciplinar, pelo que exige que as equipas sejam capazes de colaborar de forma muito eficaz, com elevado grau de confiança, alinhamento e coesão, pelo que deve começar-se com equipas mais pequenas, com capacidade de pensamento lateral, de atuar fora da zona de conforto, de aprendizagem mais indutiva, e muita inteligência emocional.

Uma boa liderança de inovação requer uma elevada capacidade de escolher boas equipas e de reforçar comportamentos de experimentação, capacidade de coaching, de influenciar e motivar, clarificação e definição de scope de projeto, e capacidade de alinhamento constante da equipa e da organização. Boas lideranças têm cada vez mais de ser capazes de gerir redes e de encontrar incentivos e modelos de negócio e de governança que permitam uma inovação colaborativa eficaz.

Cofundador e CEO da Beta-i

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