Opinião

Educação: a nossa obrigatória paixão coletiva

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Um recente estudo apresentado pela Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho avalia quer os fatores que constrangem o crescimento português, quer os fatores com máximo potencial de acelerar a nossa economia. A conclusão, surpresa para uns quantos, nem tanto para outros mais, defende que a escolaridade é o indicador com maior impacto no crescimento económico. A educação, ou talvez a falta dela, suplanta as condições de financiamento, a qualidade das instituições (e governança) ou o progresso tecnológico.

Na verdade, o documento encomendado pela Associação Missão Crescimento afirma preto no branco que a cobertura da escolaridade obrigatória até três quartos da população com idade superior a 25 anos poderá conferir um impulso adicional ao Produto Interno Bruto (PIB) de 1,3 pontos percentuais ao ano. Isto é, 13,3 pontos percentuais no espaço de uma década. Dito de outra forma: teríamos de passar dos atuais 36,8% de adultos com o ensino secundário completo para uma taxa de alcance de 76% (mais do dobro).

A análise, assente na comparação entre a economia portuguesa e a economia dos países da União Europeia (UE) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), traça o mesmo raciocínio para o ensino superior. Eliminar a distância de dez pontos percentuais de adultos que concluíram o programa de estudos universitários permitiria um acréscimo de 5,4% do PIB nessa mesma década (19% contra a mediana UE+OCDE de 29,5%). Todavia, note-se que o país exibe uma percentagem de trabalhadores sobrequalificados (nível de escolaridade superior ao exigido pelo trabalho) de 24%: valor sete pontos percentuais acima da média UE+OCDE.

Uma realidade que “indica uma afetação ineficiente dos recursos e uma qualificação dos trabalhadores desajustada a uma parte significativa da procura do mercado, além de uma reduzida sofisticação tecnológica das empresas portuguesas”, segundo os autores do estudo “Crescimento da Economia Portuguesa”. Contudo, os investigadores acrescentam que “os benefícios do investimento em educação são também visíveis no elevado retorno dos licenciados em termos salariais, apesar de algum declínio observado na última década”. Um licenciado aufere um rendimento de trabalho, em média, 70% superior quando comparado com um trabalhador com o ensino secundário.

De resto, e tendo presente a métrica OCDE, os salários dos licenciados em Portugal são dos mais elevados, relativamente àqueles com apenas o ensino secundário. Somente quatro países, de um total de 28 nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, apresentam salários relativos superiores, sugerindo que o investimento em educação em Portugal é bastante rentável. Independentemente de reconhecerem que o valor de um diploma tem vindo a decrescer paulatinamente.

José Pedro Salas Pires, Presidente da ANETIE

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