Educar e requalificar é o melhor plano económico

Com a pandemia "tratada" em termos de saúde pública, passaremos a estar mais focados no crescimento económico global. Portugal ainda não conhecia o Covid e já precisava de recuperar economicamente, agora precisamos de acelerar o processo. A aposta na formação e investimento em novos modelos educacionais para jovens assim como a criação de programas de requalificação e formação para trabalhadores em geral são áreas a merecer mais atenção para se conseguir obter a recuperação económica que tão desesperadamente necessitamos.

É por isto que todos nos devemos preocupar com a educação e garantir que todos estão habilitados para esta era digital. Precisamos de nos preocupar que todos retirem benefícios, o mais cedo possível desta oportunidade global. Temos de ser ágeis se quisermos ter vantagem competitiva e não perder o barco. Com as novas tecnologias disponíveis e com a produção e os negócios a serem mudados tão rapidamente é da nossa responsabilidade retirar vantagens e usar a tecnologia para impactar a forma como ensinamos e desenvolvemos talentos para atender às necessidades deste novo mundo.

A educação é realmente uma missão critica se quisermos ultrapassar esta crise e garantir que oferecemos um futuro melhor para os nossos filhos, melhor do que aquele que nos foi dado. O local de trabalho e a forma como empregamos pessoas qualificadas mudou. O trabalho remoto é agora uma realidade para muitas companhias globais e isto vai permitir que as pessoas se movimentem e vivam em diferentes regiões do mundo. Muitas sectores e indústrias como os da integração de serviços em nuvem, automação e logística da cadeia de suprimentos viram-se forçadas a inovar para acomodar esta nova realidade de trabalho remoto. Embora estas mudanças tenham resultado na extinção de alguns empregos a verdade é que também deu origem a novos, com competências para preencher novas necessidades. Vamos precisar de requalificar, especialmente porque a procura pelos mais habilitados vai originar a diminuição da oferta disponível.

Sabendo disto vamos precisar de garantir que temos trabalhadores com capacidade de aprender e de se adaptar constantemente a novos requisitos e circunstâncias. As companhias não vão continuar a contratar com base nos currículos académicos, mas sim com base nas chamadas soft skills. Pessoas com capacidade de aprendizagem continua, atitude positiva em trabalho de equipa e capazes de resolver problemas com criatividade. O mundo do emprego no futuro vai exigir aquilo que eu chamo de "especialistas com conhecimentos gerais", pessoas com cultura e conhecimento geral, que demonstram vontade e capacidade de estar sempre a aprender e que encontram de uma forma rápida e criativa soluções para sinergias.

Temos que garantir que esta economia digital não exclua os nossos alunos. O modelo de ensino que existe não os prepara de uma forma adequada. A nossa missão passa por fazer com que nenhum deles se sinta excluído do futuro digital. A solução está em reestruturar o modelo educacional que é dado aos jovens e a todos em todas as fases da vida. Será uma mistura de novos modelos de educação, formação e requalificação de pessoas em idade ativa.

Não seremos capazes desta missão de uma forma isolada. É preciso que haja liderança e apoio dos privados e do governo para acelerar o processo.

Também teremos que repensar a ideia de que todos tem que ter um diploma universitário. Muitos terão que adquirir competências digitais, capacidade de trabalho em equipa e outros terão que fazer formações. Precisamos de alunos com formação média, cursos profissionais que vão de encontro aos pedidos de emprego. Estes cursos podem inclusive ser criados pelas grandes empresas ou empregadores que desesperam por trabalhadores e novos talentos. Era importante que os alunos ao concluírem o ensino médio já apresentassem alguma experiência em alguma área que possam depois usar para um estágio que dê origem a um emprego, ou até para uma candidatura ao ensino superior.

Quem emprega precisa de milhões de trabalhadores com novas competências, know-how em colaboração e atitude na aprendizagem ao longo da vida. Estes trabalhadores serão menos stressados e ansiosos porque sabem que se adaptam facilmente às mudanças e agarram novas oportunidades. Os países que converterem mais rapidamente os seus modelos educacionais serão mais rapidamente beneficiados, pois o talento pode operar a partir de qualquer lugar para a maioria destes empregadores. Segurança cibernética, serviços em nuvem, programação, serviços criativos, consultoria, IA e milhares de outras oportunidades de trabalho desconhecidas dependerão da nossa capacidade de abraçar e adaptar as mudanças necessárias para criar novos modelos educacionais. Requalificar a nossa força de trabalho atual é vital para prepará-los para empregos do futuro e também trazer de volta aqueles que perderam os seus empregos para novas tecnologias.

A verdade é que não seremos capazes de concentrarmo-nos em apenas um destes aspetos, pois tanto os futuros, quanto os atuais trabalhadores precisam de estar preparados para as necessidades da atual realidade. Precisamos de ajuda total no que diz respeito ao setor privado e ao governo. O setor privado precisa inovar e também usar a tecnologia para preparar e criar modelos que funcionem, e o governo precisa de garantir que as leis educacionais sejam revistas e que haja condições disponíveis para que o setor privado seja livre para agir de acordo. O sucesso no futuro do nosso país depende desta parceria. Empresas e empregadores sabem o que precisam dos trabalhadores ou colaboradores e, portanto, precisam fazer parte da solução e os governos precisam de pessoas empregadas para pagarem impostos e serem produtivos. Va daí também precisam de facilitar estes novos modelos.

Este desafio é ENORME e, portanto, exigirá que tomemos ENORMES e ousados passos ​​para resolvê-lo. É um desafio para todos e ninguém se pode dar ao luxo de ficar para trás. Neste momento, pequenos passos estão a ser dados, mas acredito que a ação coletiva fará acelerar de uma forma substancial o progresso.

Agora entendemos que nem todos os nossos jovens precisarão de ter um diploma universitário, mas também entendemos que devemos ter um sistema educacional que seja capaz de dar a todos os nossos jovens a capacidade de investirem no talento que têm para atingirem em pleno o potencial.

Temos que permitir bolsas de estudo para obter certificados e aprendizagens que qualifiquem os jovens para que consigam ter, mais cedo ou mais tarde, bons empregos.

Ainda há espaço e a necessidade de cursos superiores de 4 anos, mas deve existir mais aceitação para estágios, certificações e outros programas voltados para o trabalho. Precisamos de mais pessoas a aprender mais competências e também a estarem mais recetivas para a requalificação quando necessário, se quisermos competir no mundo global.

O futuro precisa de todos nós e não apenas de alguns, poucos e selecionados. É hora de ser corajoso e aceitar este desafio, pois a missão é difícil.

Tim Vieira, fundador Brave Generation Academy

Versão em inglês:

Education and Training is the best Economic Plan

Coming out of this pandemic our focus will move from health to economic growth for all countries. An economical turn-around was already needed in Portugal prior to Covid, but that need has now been accelerated. Only by focusing on new educational models for our youth, training and reskilling programs for our workforce can we obtain the economic turn-around we so desperately require.

This is why we all need to care about Education and ensure that people have the right skills for this digital age. We need to care so that our countries can benefit sooner rather than later from this Global opportunity. We need to be agile if we wish to have a competitive advantage and not miss the boat. With new technology available and business and manufacturing changing so fast nowadays, it's our responsibility to also take advantage and use this technology to impact the way we teach and develop talents to meet the needs of this new world.

Education really is mission critical if we wish to overcome this crisis and ensure that we offer a future that is better for our children than the one we were given. The work place and the way we employ skilled people has changed. Remote work is now a reality for many global companies and this will allow people to move and live in different regions of the world. Many industries and services such as cloud service integration, automation and supply chain logistics have been forced to speed up their innovation to accommodate this new age of remote labour, and although these changes have resulted in the extinction of some closely related jobs, the change has also given birth to new jobs and skills necessary to fulfil the new processes and work flows. We will need to train and re-skill the workers, especially as the demand for such workers out strips the supply.

Knowing this we will need to ensure we have a workforce that has the ability to continuously learn and adapt to new requirements and circumstances. Many companies will no longer hire with a focus on hard skills but rather for the soft skills such as ability to continually learn, a positive attitude which encompasses team work and creative problem solving. The employment world will require what I refer to as "specialized generalists" who are people who know something about a few things and have the capacity to learn more and find synergies between solutions quickly and creatively.

We have to ensure that the digital economy does not exclude our students. Our current educational model does not adequately prepare students for this fast passed digital world. Our mission needs to be the preparation of our students so they don"t feels ostracized from the digital future. The solution lies in not just restructuring the educational model for our youth but also for people in all stages of their lives. It will be a blend of new educational models, training and re-skilling of current workers.

We won"t be able to do this alone, we"ll need the leadership and support of both private and Government sectors to accelerate the necessary changes.

We will also have to rethink the notion that all of our youth need to have University degrees. Many will have to rather learn digital skills, team working capabilities and some will have to rather do apprenticeships. We need our students to graduate secondary school with some kind of skill that is employable and these courses can be set up by major employers who are desperate for workers and new talent. We need students at the end of high school to have some kind of expertise already that they can use or that helps open doors for tertiary education or internships leading to jobs.

Employers need millions of workers with these new skills, collaboration know-how and lifelong learning attitudes. These workers are less stressed and suffer less from anxiety because they know they have the capabilities to continuously adapt to new opportunities. The countries that convert their educational models quickest to these new requirements will benefit most as talent can be based anywhere for most of these employers. Cyber security, Cloud services, programming, creative services, consulting, AI and thousands of other unknown job opportunities will depend on our ability to embrace and adapt the necessary changes to create new educational models. Reskilling our current workforce is vital to prepare them for jobs of the future and also bring back to the workforce those that lost their jobs to new technology.

The truth is that we won"t be able to focus only on one of these aspects as both our future workers and current workers need to be prepared for today's real world requirements. We need all hands on board with regards to the private sector and government. Our private sector needs to innovate and also use current technology to prepare and come up with models that work and our Government needs to make sure that educational laws are accommodating and conditions are available so that the private sector is free to perform accordingly. The future success of our country depends on this mutual partnership as it"s bigger than one side alone. Companies and employers know what they need from workers or collaborators and therefore need to be a part of the solution and Governments need people employed in order to pay tax and be productive and therefore also need to facilitate these new models.

This challenge is HUGE and therefore it will require us to take HUGE bold steps towards solving such. It"s a challenge for everyone and no one can afford to stay on the side lines. At the moment small steps are being taken but I believe that collective action will accelerate the progress substantially.

We now understand that not all of our youth will need to have university degrees but we also understand that we should have an educational system that will be able to give all of our youth the ability to use their talents to reach their full potential.

We have to allow for scholarships to obtain certificates and apprenticeships which equip our youth to obtain good jobs sooner rather than later.

There is still space and the need for 4 year university degrees but there has to be acceptance of on the job training, certificates and other job oriented programs. We need more people to learn more skills and also be open to reskilling themselves when needed if we wish to compete in the global world.

The future needs to embrace us all and not only a select few. It"s time to be Brave and take up this challenge as it is Mission Critical.

Tim Vieira, founder Brave Generation Academy

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