Opinião: Rosália Amorim

Emprego, o pão nosso de cada dia

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O emprego continua a ser uma preocupação. O dos mais jovens, em geral, é precário e mal pago em Portugal, com exceção do emprego tecnológico altamente qualificado. O dos mais velhos é, muitas vezes, indiferenciado.

No privado ou no público, os desafios são muitos em matéria de emprego. No caso do setor público, a descida abrupta no número de pré-reformas é evidente. Muitos optam agora por ficar a trabalhar até ao fim da carreira contributiva, pois não querem sentir os efeitos negativos dos efeitos do cálculo da pensão com o fator de sustentabilidade. Esta alteração está a provocar um forte envelhecimento da população empregada no Estado. Resultado: há uma menor rotação, substituição e rejuvenescimento dos quadros públicos. Nesta semana, o Conselho das Finanças Públicas veio avisar que a criação de emprego público deverá fraquejar na próxima legislatura, agravando esta realidade.

Entre o final de 2015 e o final de 2019, o número de empregos do setor público português aumentou em cerca de 40 mil. As administrações públicas devem fechar este ano com cerca de 700 mil funcionários. Resta saber se serão os empregados certos para a renovação e digitalização de uma administração que ainda demonstra muitos vícios do passado, como a lentidão e a burocracia.

Há muitos funcionários públicos a quem é justo fazer um elogio pela sua dedicação, empenho e resiliência. Mas muitos outros há que, como sabemos, estão onde estão apenas para cumprir o horário e receber o salário de forma fixa, segura, sem riscos e sem avaliações de desempenho.

Renovar mentalidades no funcionalismo público é importante, tal como é fundamental fazê-lo nas empresas, sob pena de as organizações para quem trabalham não inovarem, não se modernizarem nem evoluírem ao ritmo a que o mundo de hoje exige. A velocidade e a competitividade, ou falta dela, ficam hoje muito mais expostas perante o paradigma digital do que ficavam antes num universo meramente analógico. Proferir grandes teorias, sem qualquer saber prático acumulado, valerá de pouco a quem muito pragueja mas pouco faz.

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