Encontrar o equilíbrio

Para não variar, os números são reveladores. Os dados do INE conhecidos ontem mostram que a economia portuguesa cresceu a dois dígitos entre abril e junho, com uma aceleração homóloga de 15,5%. O maior crescimento trimestral desde 1996, ano que a se referem os primeiros dados estatísticos oficiais, e relativos a um ano em confinamento, mas que mostram os efeitos brutais de um confinamento na economia. No segundo trimestre, assim que foi possível dar uma folga, ainda que ligeira, à atividade económica, os resultados surgiram e revelam bem o garrote que teve de ser imposto à economia, faltando ainda saber o estrago que a quarta vaga provocou até ao mês de julho.

Vem agora, provavelmente, uma das fases mais difíceis de combate à pandemia: aquela em que o país tem a imunidade de grupo à vista, a campanha de vacinação a correr a bom ritmo, o verão a decorrer, o turismo a querer retomar o seu ritmo normal e muitas atividades a quererem reabrir. Amanhã serão os bares a poder reabrir portas, quase um ano e meio depois de terem sido obrigados a fechar portas; discotecas talvez só lá para outubro.

Ninguém toma decisões que levam ao fecho da economia de ânimo leve e todos os períodos em que o país fechou, com mais ou menos medidas acertadas, foram decididos com o objetivo de controlar uma pandemia de uma doença sobre a qual está ainda todo o mundo a aprender.

Por isso, o conselho de ministros apresentou-nos esta semana o que podem ser as próximas três fases de desconfinamento, à medida que formos tendo mais vacinados e maior resistência da sociedade ao coronavírus, mas terá que as gerir com muito cuidado e à procura de um ponto de equilíbrio. Aquele em que se consegue controlar a pandemia, o famoso R(t) e o número de internados, mas aquele que também permite a reabertura, que todos queremos total, da economia; aquele que permite ter todas as atividades a funcionar e um regresso ao que conhecemos como a vida normal.

O equilíbrio entre a batalha sanitária e a necessidade de aquecer a economia é frágil e será sempre esta a perder se houver um abanão na saúde. O combate à covid-19 continua a pedir todo o nosso investimento, mas os números de ontem do INE mostram também que precisamos de abrir todos os setores da economia. As medidas estão identificadas; falta chegar ao ponto de equilíbrio.

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