Opinião

Energia para mudar

Custos energéticos
(Fonte: Eurostat)
Custos energéticos (Fonte: Eurostat)

O debate não é novo, as queixas são antigas, mas os decisores acabam sempre por seguir o caminho da receita fácil

Sabe quanto gasta de eletricidade com o frigorífico num ano? A pergunta serve de ponto de partida para o Eurostat mostrar as diferenças nos preços da energia nos países europeus. E também para revelar quanto desse custo é real e que fatia corresponde aos impostos escondidos na fatura. A resposta para uma casa portuguesa fixa-se nos 56,2 euros. Dos quais mais de metade correspondem à carga fiscal que engorda o valor final. Pior do que os 55% que o Estado português imputa a cada um de nós – consumidores, mas também empresas -, fazendo disparar os nossos custos energéticos para os sextos mais caros da Europa, só mesmo a Dinamarca, onde os impostos pesam 68% na fatura.

A discussão não é nova, mas Nuno Ribeiro da Silva volta a focar-se no assunto na entrevista das páginas seguintes, sublinhando que “a maior parte da fatura da eletricidade é responsabilidade de decisões políticas”. De más decisões, acrescente-se, porque se este enorme peso tributário é uma violência para muitas famílias – Bruno Bobone sublinhava, há dias, a situação inaceitável de tantas que não conseguem manter as suas casas quentes no inverno -, é absolutamente lesivo quando se fala de empresas. Não são apenas as indústrias a ser castigadas com estes preços, é todo o tecido económico que sofre pelos preços desproporcionados da energia no país.

O que se gasta com essa fatura é desviado de áreas que realmente importam, que seriam capazes de provocar verdadeiro crescimento. O cheque que todos os meses se passa ao Estado para pagar 55% da conta de eletricidade é dinheiro que não se investe em novo negócio, em mais mercados, em criação de postos de trabalho, em melhores condições e salários para os colaboradores. E isto vale tanto para uma startup quanto para uma multinacional que esteja a procurar destino para montar novos arraiais.

O debate não é novo, as queixas são antigas, mas os decisores acabam sempre por seguir o caminho da receita fácil, cristalizando um obstáculo ao crescimento do país. Haja coragem para dar esse passo e podemos falar de um verdadeiro incentivo à economia, às empresas, às famílias.

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