Entretanto

Em 1998 ocorreu o referendo sobre a regionalização. Entretanto, o tempo foi passando, o país estagnando, a assimetria continuando e os do costume procrastinando. Regularmente, o tema reaparecia no discurso político, que não na agenda. Agora, dir-se-ia que o país político, Presidente incluído, "caiu na real" e há, até, um calendário.

Escarmentado, vou pensando se não será melhor ir avançando por conta. Portugal tem um problema de produtividade, evidente na comparação com a média europeia. Cá dentro, há regiões que são o Portugal de Portugal. Se fosse possível aumentar a sua produtividade, minorando a assimetria, gerar-se-ia um ganho global de rendimento, assim a Lisboa das startup e web summits não continue a baixar a sua (PRR, p.55).

O PRR tem a coesão social e territorial como um dos seus pilares, mas é parco em propostas territorializadas. A novidade do que a seguir sugiro está mais no tempo, grau e perseverança na criação de resiliência, do que na proposta. Para começar, priorizar a dotação de 5G nessas sub-regiões, de modo a serem alternativa na atração de empregos de nova geração, a exemplo do que fez a Irlanda. Caberia no PRR, tal como a prioridade à construção das chamadas ligações last mile, vitais para atrair investimento e assegurar escoamento a produtos locais - não pode ser o justo a pagar pelo pecador (que construiu autoestradas em excesso). E, ainda, incentivos robustos, em condições e duração, para projetos geradores de emprego, conjugados com apoios à mobilidade de pessoas qualificadas e à requalificação de quem para lá fosse viver e trabalhar. E linhas de crédito específicas para a modernização de equipamentos e atividades locais, fomentando a autoestima e o sentido de pertença, de forma a inverter o abandono dessas terras. No entretanto, as CCDR seriam capazes de dar conta do recado, assim o governo central trate do que lhe compete.

P.S. A criação de empregos redundantes é acusação comum à regionalização; entretanto, o governo central recruta 3 mil funcionários públicos para gerirem os atuais programas...

Alberto Castro, economista e professor universitário

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