Esperem por eles

Há pessoas que me pedem conselhos sobre filhos, tipo correio da revista Maria (lembram-se?). A mim. Os meus filhos riem-se e eu faço cara séria e respondo como se fosse uma verdadeira especialista. Afinal até escrevo desabafos sobre o assunto filhos e ainda ninguém me despediu, o que pode querer dizer alguma coisa.

As pessoas acham que pelo facto de eu ter muitos filhos sei mais. Nada mais errado. Se conhecessem o meu último filho percebiam o quanto isso é falso. A experiência, no que respeita à maternidade, só nos esclarece que perdemos imenso tempo com inutilidades e gastamos muito dinheiro com coisas parvas, mas não nos diz nada em relação ao que temos de fazer melhor ou como ser melhores pais aqui ou ali. Até porque cada filho é completamente diferente e nós somos mães e pais diferentes com cada um. As regras mudam a cada filho. Imaginem que cada máquina de lavar roupa tinha um manual de instruções completamente diferente apesar de ser da mesma marca, modelo, etc. Por isso, não acreditem em mim, nunca. Tudo o que eu digo com um ar entendido e sabedor é charlatanice da mais pura. Sou um zero à esquerda nesta temática.

Uma das coisas que me têm perguntado com frequência é sobre as escolhas, as universidades, etc. que os miúdos devem fazer. Ali pelos 14 anos dos filhos, os pais entram em stress sobre o futuro profissional da criançada. Desconfio que se pudessem começavam já a enviar currículos dos desgraçados dos miúdos às empresas, mas como não podem porque eles nem ficam em casa sozinhos, recorrem em massa e euforia aos testes psicotécnicos (ora, aqui está uma boa saída profissional: Psicologia na vertente da orientação vocacional). Eu já fiz isto aos meus filhos, aos mais velhos, claro, porque também não sou parva. Convenhamos que aos 14 não se forja engenheiros, e caso esse engenheiro esteja lá, pronto a ser descoberto, não é necessário nenhum teste vocacional. Além disso eles mudam. Lá está: a experiência tem-me revelado a quantidade de dinheiro que gastamos em inutilidades com os nossos filhos. O resultado dos testes aos 14 ou 15 anos pode ser completamente diferente do resultado dos testes feitos aos 17, por isso são inúteis. Além disso, condicionam as escolhas, as preferências e até a maneira de olhar para determinadas matérias, áreas ou mesmo profissões. Aos 15 anos os testes condicionam mais do que esclarecem, tudo o resto que nos podem dizer que seja proveitoso, os pais ou os professores já sabem.

Pais, os filhos começam a pensar a sério na universidade e no futuro a meio o 11.o ano. Até lá, são as hormonas, o sono, os amigos e o próximo fim de semana que dominam o campo de batalha. Esperem por eles.

Jurista

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