Está na hora de voltar ao normal

Numa das portas de entrada do clássico entre o Sporting e o F.C. Porto, no fim-de-semana passado, centenas de pessoas esperavam ao monte para terem acesso aos torniquetes. As filas estavam atrasadas por causa dos protocolos acrescidos forçados pela situação pandémica.

Mas se não fossem as máscaras na cara dos adeptos, nem se percebia que estávamos em pandemia - distanciamento zero e filas descoordenadas. Havia uma sensação generalizada de relaxamento, e bem: todos os que ali estavam tiveram de apresentar certificado digital de vacinação ou teste negativo à covid-19. O risco já não é o que era. E é por isso que temos de começar a acelerar o passo em direcção à normalidade.

Há já algum tempo que temos a melhor ferramenta possível para combater a pandemia e chegámos a um ponto em que isto não vai ficar muito melhor. Iremos continuar a ter variantes. Teremos surtos em altos e baixos. As regiões com baixas taxas de vacinação continuarão a ter as urgências cheias de doentes em estado grave e os negacionistas continuarão a ir à rua gritar contra o vento.

É deixá-los, avançando nós para a próxima fase rumo ao normal.

O que não faz sentido, neste momento, é manter medidas que já não se adequam ao ponto em que estamos (em termos de risco de transmissão e internamentos) e que penalizam toda a gente por igual, quando deviam penalizar exclusivamente os que se recusam a ser vacinados.

Pior, medidas que têm por base a contenção de infecções e acabam por ser ineficientes, desnecessárias ou até prejudiciais. Como o processamento de passageiros a conta-gotas, causando aglomerados intermináveis em certas zonas dos aeroportos e forçando as pessoas a passarem lá mais tempo, porque tudo está bastante mais demorado.

Todo o processo de viagens internacionais está, aliás, incrivelmente confuso, caótico e não necessariamente mais seguro. Os estudos que foram sendo feitos ao longo do último ano e meio mostram que o risco de transmissão de covid-19 nos voos é relativamente baixo - o que, aliado ao avanço da vacinação e disponibilidade de testes, deveria levar a uma retoma mais ordeira do tráfego aéreo de passageiros.

Mas as exigências diferem de sítio para sítio e até de companhia aérea para companhia aérea. Portugal, por exemplo, só pede testes a partir dos 12 anos. O Canadá exige a partir dos cinco e os Estados Unidos a partir dos 2 anos de idade, mas, neste último caso, basta preencher uma declaração atestando que foi efectuado um teste e deu negativo. Já para não mencionar a ausência de uma plataforma internacional que valide os certificados digitais de vacinas.

As medidas drásticas que foram tomadas no início da pandemia justificaram-se - e, em muitos casos, pecaram pela forma titubeante como foram executadas, arrastando-se no tempo quando deviam ser curtas e eficazes.

Agora, com a vacinação a bater à porta dos 90% em países como Portugal e estados como a Califórnia, há que avançar mais rapidamente no alívio das restrições. Vamos ter de viver com este vírus e temos forma de o combater com muita eficiência. Quem não quiser vacinar-se que corra o risco - mas não seja pelos cépticos que o resto de nós tenha de viver agrilhoado por esta crise em lume brande por mais tempo.

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