Opinião: Luís Miguel Ribeiro

Estamos em Guerra: “Whatever it takes”

Fecho de fronteiras. Fotografia: Nuno Veiga/Lusa
Fecho de fronteiras. Fotografia: Nuno Veiga/Lusa

“É preciso fazer-se muito mais, sob pena do colapso de todo o sistema económico e social”

Estamos em Guerra. Uma Guerra Mundial de saúde pública, em que o inimigo é apenas um, mas implacável. O surto epidemiológico provocado pelo novo coronavírus avança contra tudo e contra todos!

Ninguém tem certezas quanto ao seu impacto, depende muito da capacidade que tivermos de o “estancar” o mais rapidamente possível.

A recessão económica é já uma certeza sentida por muitos. Importa, antes que seja tarde demais, evitar a todo o custo a sua maior profundidade.

Na frente desta batalha exige-se uma resposta global, coordenada e rápida, das instituições internacionais e dos governos nacionais.

As medidas anunciadas pelo Governo português para apoio à economia e à manutenção do emprego são positivas, mas pecam pela insuficiente magnitude. Na sua totalidade, ascendem a menos de 5% do nosso PIB anual. A título de exemplo, o pacote anunciado na nossa vizinha Espanha ultrapassa os 16% do PIB espanhol.

Em poucos meses, as prioridades – sobretudo as emergentes – alteraram-se. Naturalmente, a primeira linha de prioridades está no controlo desta pandemia, por forma a assegurar o bem mais precioso: a vida humana. É um enorme desafio para Portugal, um país com uma população muito envelhecida e, consequentemente, com uma maior exposição e fragilidade a esta pandemia.

Tudo isto nos deve fazer refletir, nomeadamente quanto à necessidade de investimento na área da saúde. Mas o momento deve ser de ação. Vários governos tomaram medidas de exceção, decretando o “estado de emergência”, que passou também a vigorar no nosso país, com fundamento na verificação de uma situação de calamidade pública.

O bloco económico a que pertencemos, a Europa, deve avançar rapidamente com instrumentos adequados, em montante e imediata aplicação, seja na vertente da política orçamental ou monetária, sob pena da economia entrar numa espiral recessiva e dificilmente debelada, pelo menos a curto prazo.

“Whatever it takes”, como dizia Mário Draghi no seu discurso relativo à política monetária, em 2012, durante a crise económica e financeira, que permitiu salvar o euro, expressão agora recuperada pelo Presidente do Eurogrupo no contexto desta crise pandémica.

O anunciado plano do BCE, de 750 mil milhões de euros para a compra de ativos públicos e privados na zona euro, é positivo. Mas é preciso fazer-se muito mais, sob pena do colapso de todo o sistema económico e social.

Presidente da Associação Empresarial de Portugal

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