Opinião

Estão as empresas e o país mais bem preparados ?

Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Há muito trabalho a fazer, nomeadamente ao nível do aumento da produtividade, da dimensão das empresas e da redução do peso do Estado

Esta segunda-feira participei no programa da RTP1 “Prós e Contras”, na Fundação de Serralves, com o tema em análise “Estão as empresas portuguesas mais resilientes para uma eventual crise financeira?”.

Ao longo do debate pairou algum otimismo e o reconhecimento de que há ainda muito por fazer.

Eu próprio assinalei que o país e as empresas estão hoje mais bem preparados do que há uma ou duas décadas atrás. Hoje temos setores transacionáveis que concorrem com outras valências, que na altura não eram tão relevantes. O tecido empresarial foi-se modernizando ao longo de toda a cadeia de valor, a montante através de uma ligação muito forte aos centros de saber e às universidades, e a jusante com uma forte aposta na distribuição, no marketing e, mais recentemente, no comércio digital.

As empresas melhoraram a sua relação com o sistema financeiro, reduzindo o endividamento, e a sua situação de balanço, nomeadamente os rácios de autonomia financeira.

Investiu-se na qualificação dos recursos humanos, uma mais-valia para vencer no mercado global e concorrencial. Contudo, foi insuficiente. A dificuldade em contratar mão-de-obra qualificada é hoje um dos principais constrangimentos das empresas, ao qual o sistema de educação não conseguiu responder adequadamente.

Face às dificuldades no mercado interno, para além da vontade própria, as empresas internacionalizaram-se de forma expressiva – com uma forte subida da intensidade exportadora –, o que para mim constitui a grande mudança estrutural.

Temos hoje uma economia mais aberta, o que sendo bom, face à exígua dimensão do mercado nacional, coloca-nos simultaneamente numa situação de maior vulnerabilidade face ao que se passa lá fora.

O processo de internacionalização crescente é também muito evidente no investimento direto. Hoje, Portugal é muito procurado por investidores estrangeiros.

Hoje, a marca Portugal acrescenta valor, quando há alguns anos atrás retirava valor aos nossos produtos.

Apesar de tudo isto, como referi no início, há muito trabalho a fazer, nomeadamente ao nível do aumento da produtividade, que é muito baixa, da dimensão das empresas, com escala insuficiente para inserção no comércio mundial, e da redução do peso do Estado, que permita diminuir a elevada carga tributária, sobretudo se relativizada pelo nosso nível de desenvolvimento, só para citar alguns exemplos.

 

Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)

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