Opinião: Pedro Rocha Vieira

Even the best seeds need water…

Seeds

Medir o que importa é uma máxima da gestão e da economia, e quando falamos de startups e capital de risco, a exigência de fontes claras, credíveis e especializadas de informação é fundamental na criação de uma cultura de métricas e de accountability.

Os relatórios publicados pela Startup Portugal em julho – que mede o impacto das startups em Portugal na ordem dos 2,2 mil milhões de euros no PIB em 2018 – e o relatório de Investimento publicado pela Beta-i, LC Ventures e Fnaba, publicado em junho, são relevantes para nos darem uma noção do impacto e da evolução da indústria de startups e investimento em Portugal.

Do relatório de Investimento em Portugal concluímos que apesar de estarmos a evoluir positivamente em termos legais e fiscais, estando já acima da média da Europa, estamos ainda abaixo da média em termos de sofisticação da indústria.

Ao longo dos últimos oito anos, os montantes alocados à atividade de business angels aumentaram 20 milhões de euros para 63 milhões, mas o número de veículos de investimento teve um crescimento marginal, sendo hoje 64, contra 56 em 2010. O Capital de Risco e Private Equity subiram mais significativamente, representando um montante total de 4,6 mil milhões de euros. Este aumento deve-se aos incentivos do FEI, EFD, e à criação de maiores benefícios fiscais para LPs em algumas categorias de fundos.

Temos também registado um aumento gradual do investimento e dos coinvestimentos de business angels, cerca de 40% acima do ano anterior, e um crescimento no capital de risco, com uma subida de 80% face ao ano anterior. Em 2018 tivemos 92 investimentos de BAs e 56 de VCs, representando montantes de 11 milhões e 47 milhões de euros, respetivamente.

Globalmente, a indústria de capital de risco tem vindo a crescer, com países como a China a ganharem terreno e os EUA a ficarem para trás, com vários hubs como o Canadá ou Brasil a subirem. Fundos com o Vision Fund I (100 mil milhões de dólares) e o Vision Fund II (108 mil milhões), vêm distorcer e criar pressão acrescida para uma profissionalização da indústria.

Urge acelerar a sofisticação da indústria, aumentar os montantes de investimento e acelerar as exits. O dilema é que para se ter uma indústria mais profissional precisamos de melhores gestores e para ter melhores gestores precisamos de fundos maiores e de melhores investidores. Para isso é preciso simplificar as regras e melhorar os incentivos fiscais, a par da continuação da política pública de investimento.

Com a recente evolução do brexit, com a boa evolução das contas públicas e com a consolidação de Portugal como um hub de inovação, está na altura de criar condições mais estáveis e adequadas – menos dependentes de regras de coesão – para acelerar a profissionalização da indústria de capital de risco em Portugal. Um bom jardineiro com tempo e os recursos certos desenvolve os mais bonitos jardins.

Cofundador e CEO da Beta-i

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