Evitar a tempestade perfeita

Temos um plano de desconfinamento e um novo anúncio de apoios à economia, reforçados, alargados e prolongados, mas insuficientes e inflexíveis, e por isso muito aquém das necessidades das empresas.

Do montante global de sete mil milhões de euros, apenas cerca de 17% são apoios a fundo perdido, isto é, correspondem à modalidade de incentivo que é mais premente neste contexto de enorme fragilidade económica e social. Os restantes cerca de seis mil milhões de euros refletem um potencial de liquidez, por alteração do calendário fiscal, o que é positivo, mas insuficiente como resposta para compensar as enormes perdas, apoiar a liquidez das empresas e a retoma da economia.

Decorrido um ano desde o início da pandemia e da consequente paralisação da atividade, o tecido empresarial enfrenta agora o pior momento em termos de fragilidade económica e financeira, com o enorme risco que tal representa. Na vertente financeira, já se vai ouvindo com alguma frequência o risco de um "tsunami" de crédito malparado, que ninguém deseja.

A economia portuguesa precisa de recursos financeiros nesta fase. Por isso, a AEP não se cansa de sensibilizar o governo para a necessidade de apoiar de forma mais robusta, por exemplo através da antecipação das verbas já alocadas ao país, num montante generoso. Feitos os cálculos, entre 2021 e 2029, Portugal contará com uma dotação média anual de 6,8 mil milhões de euros. Este ritmo é mais intenso entre 2021 e 2023 - a uma média de 10,1 mil milhões de euros por ano.

Atendendo a que neste momento o país já vive uma crise económica e social, é imperativo criarmos condições para evitar uma crise financeira, evitando aquilo que constituiria uma tempestade perfeita.

Como destacou a Comissão Especializada do Financiamento e Capitalização, da AEP, as empresas precisam de liquidez adicional imediata a fundo perdido, de instrumentos de capitalização, do prolongamento das moratórias de crédito, do alargamento muito significativo da maturidade dos empréstimos bancários, contraídos em contexto covid-19, e também de outros instrumentos de capital que apoiem a reestruturação e reorganização empresarial, no sentido de contribuir para se alcançarem ganhos de escala e de tecnologia.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)

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