Opinião

Evoluir e dinamizar: dez tendências do retalho

Retalho

Todos os anos, o sector do retalho se modifica num processo de transformação permanente e muitas são as entidades que no início de cada ano divulgam aquelas que são consideradas as grandes tendências de evolução do retalho. Não pretendendo substituir-me a esses oráculos atrevo-me contudo a listar aquelas que numa perspectiva pessoal me parecem ser as mais fortes e importantes tendências do retalho que listo sem qualquer ordem hierárquica ou importância relativa.

1- Conveniência e Proximidade

Já lá vai o tempo em que os consumidores tinham necessidade de percorrer grandes distâncias para encontrar uma larga e profunda diversidade de produtos a baixos preços, em grandes superfícies comerciais denominadas de hipermercados e gostavam de o fazer. Hoje, essa mesma oferta está já ali ao fundo da rua ou ao lado de casa, os consumidores não querem perder muito tempo nem gastar combustível para comprar bons produtos a preços baixos e já não necessitam de o fazer.

2- A experiência de compra

Hoje já não é suficiente um retalhista possuir um bom sortido alimentar ou não alimentar com uma boa relação preço/qualidade. É imperativo ter os meios de proporcionar aos consumidores um experiência de compra que os surpreenda e torne inesquecível esse ato de comércio.

3- A inteligência artificial e a Realidade Aumentada

Hoje não basta ter lojas acessíveis, bonitas, limpas e bem arrumadas. É imperativo saber introduzir no espaço de venda as tecnologias disruptivas que estão a mudar a face do comércio em todo o mundo e que os consumidores da próxima geração não vão dispensar.

4- A automatização das cadeias de abastecimento

A logística há muito que deixou de ser o continente negro da economia como o Peter Drucker a designou nos idos anos sessenta e muito tem evoluído desde então, sendo hoje, porventura, a área mais importante na gestão de um retalhista. Mas essa evolução já não é suficiente. É imperativo introduzir RFID, sistemas inteligentes de picking, sistemas de blockchain e sistemas de automação e robotização para aumentar a eficiência, a produtividade e a rapidez dos processos.

5- Pesquisa e assistência de voz nas compras

Com a introdução do sistema de venda em livre serviço nas lojas físicas a modalidade de venda assistida não deixou de existir mas perdeu importância nas últimas décadas. Contudo, vai tornar-se imperativo um retorno à assistência na venda mas agora através de assistentes virtuais por meio de voz e/ou imagem.

6- As redes sociais como novo canal de distribuição

Hoje as redes sociais são cada vez mais importantes como instrumento de ligação e comunicação entre os consumidores mas ainda não estão a ser bem aproveitadas do ponto de vista comercial. É pois imperativo aproveitar o enorme potencial comercial das redes sociais compatibilizando a colocação das encomendas e os pagamentos com os dispositivos móveis numa nova e conveniente experiência de compra.

7- A ditadura dos algoritmos

Hoje os meios clássicos de conhecimento dos comportamentos de compra dos consumidores já não são suficientes para verdadeiramente os retalhistas conhecerem os seus clientes. É imperativo utilizar as ferramentas de custumer centricity, nomeadamente, através dos algoritmos adequados que trabalham a informação recolhida nos pontos de venda para gerar um conhecimento cada vez mais profundo e efetivo dos consumidores.

8- Uma economia circular crescente

Hoje já existem não só preocupações fortes mas ações concretas no sentido de evitar os desperdícios na cadeia de valor mas há que fazer ainda mais. É imperativo ir mais longe e criar as condições, através da economia circular para aproveitar através da reutilização e da reciclagem de todos os materiais de forma a reduzir os resíduos e os custos ao longo de toda a cadeia de valor.

9- A automatização das superfícies comerciais

Hoje não basta ter processos nas lojas que permitam uma passagem célere pelas linhas de caixa. Será cada vez mais imperativo eliminar os tradicionais checkouts com operadores e substitui-los por self-checkouts ou até mesmo por meios de pagamento ambulantes ou desmaterializados que permitam efetuar o pagamento em qualquer parte da loja ou por via virtual como já acontece na Amazon Go da Amazon.

10- A omnicanalidade

Hoje não basta a qualquer retalhista dispor de vários canais físicos ou digitais de acesso dos consumidores aos seus produtos. É imperativo que o faça de forma integrada que permita oferecer aos consumidores a mesma experiência de compra independentemente do canal escolhido para efetuar a compra.

José António Rousseau,PhD, Investigador da UNIDCOM/IADE/IPAM

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(EPA/ALEXANDER BECHER)

Ainda há 17 mil automóveis do grupo Volkswagen por reparar

Fotografia: Mário Ribeiro

Antigo ministério da Educação vai ter 600 camas para estudantes

António Mexia, presidente executivo da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

Chineses da EDP não abdicam de desblindar estatutos. OPA em risco

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Evoluir e dinamizar: dez tendências do retalho