Opinião: Luís Miguel Ribeiro

Exportar e valorizar a oferta nacional

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Neste artigo, entendi tocar num assunto que, por várias vezes, foi abordado neste espaço. A grande diferença é o facto de ter sido sempre retratado enquanto perigo iminente. Infelizmente, é hoje uma realidade que rapidamente deve ser superada.

Refiro-me aos sinais preocupantes da evolução das contas externas do país, que denunciam o regresso a uma situação de défice. A persistir, irá interromper uma sequência de saldos positivos que Portugal registava, ininterruptamente, nos últimos seis anos e que traduzia uma das principais alterações estruturais.

É certo que no início do ano pudemos contar com uma evolução das exportações, de bens e serviços, mais favorável face à observada no final de 2018. Mas este progresso foi acompanhado por um acréscimo mais intenso das importações, resultando na deterioração expressiva do contributo da procura externa líquida na composição do crescimento económico.

É certo também que, face à sua elasticidade relativamente à procura global, as importações tendem a aumentar com a recuperação da atividade, em particular com o aumento do investimento em bens de equipamento, com forte conteúdo importado, embora potenciador de ganhos de produtividade.

Os dados conhecidos devem constituir motivo para continuarmos a defender uma agenda que promova a aceleração das exportações líquidas, enquanto modelo de crescimento económico desejável.

Como fazê-lo?

Terá de ser em várias frentes. Com uma agenda político-económica integrada, que estimule o investimento, sobretudo empresarial, as exportações e a substituição (competitiva) de importações, enaltecendo a valorização da oferta nacional e a criação de valor acrescentado.

Uma agenda nada fácil, se tivermos em conta uma conjuntura externa incerta e vincada pelo abrandamento nos principais mercados. Cada vez mais, as empresas precisam de contar com políticas públicas favoráveis a acréscimos de produtividade e de competitividade, e não o seu contrário.

O país está já muito próximo de novo período eleitoral. Não esqueçamos esta importante agenda, a bem de todos!

Presidente da Associação Empresarial de Portugal

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