Falta fazer as contas

Enquanto o conflito na Ucrânia durar, não abranda a guerra dos combustíveis. A alta de preços colocou muitas empresas e famílias nos limites da sobrevivência devido ao custo elevado destas matérias-primas. Segundo o ministro das Finanças, Fernando Medina - que ontem falou no âmbito da audição na Comissão de Orçamento e Finanças (COF) sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) -, "cada português paga hoje menos 27 cêntimos por litro" de combustível do que pagaria sem as medidas fiscais implementadas pelo governo para mitigar o impacto dos preços da energia.

Quando a pobreza é muita toda a esmola é bem-vinda! Mas não chega para resolver a situação dramática que afeta toda a economia. Medina sublinhou que no total, entre novembro e o final de junho, e considerando os subsídios a empresas e famílias e os impostos que o Estado deixou de cobrar, contabiliza 700 milhões de euros em apoios. O governante realçou que o OE2022 inclui ainda 55 milhões de euros para apoiar as famílias mais vulneráveis com uma prestação única de 60 euros, e uma ajuda de dez euros por mês na compra de botijas de gás, durante três meses, e o subsídio às empresas com uso intensivo de gás, totalizando 160 milhões de euros de apoio.

Para o ministro "o Orçamento responde à conjuntura e prolonga a linha política que seguimos desde 2016 de reforço dos rendimentos das famílias. Os sindicatos e a oposição não dizem o mesmo. Com exceção do salário mínimo e dos funcionários públicos que nunca deixam de ter aumentos, nem que seja por razões eleitorais, os rendimentos estão há muito parados em Portugal. Pior, não estão apenas congelados estão mirrados graças ao efeito da subida da inflação que mantém uma tendência crescente constante. O país poderá correr o risco de chegar ao final do ano com uma inflação a tocar os dois dígitos o que terá consequências dramáticas para o consumo interno. Na prática, os portugueses têm o mesmo dinheiro mas passam a conseguir comprar cada vez menos coisas e vai ameaçar a recuperação da economia nacional.

Ainda assim, Medina está confiante: os dados trimestrais relativamente ao Produto Interno Bruto (PIB) indicam que o objetivo de crescimento para 2022 inscrito no Orçamento é alcançável. "Entre os 11 países da União Europeia que já apresentaram dados, a economia portuguesa foi a que mais cresceu", disse.

Falta ver como fechará o trimestre seguinte e que magnitude terá o impacto da guerra. Ainda falta fazer as contas.

Jornalista

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