Falta marketing à inovação

Há falta de marketing. Com os recursos que temos e o investimento que fazemos, seria expectável uma maior valorização dos nossos produtos e serviços

Vivemos tempos desafiantes que, mais do que nunca, exigem inovação tanto por parte das empresas como da administração pública e do terceiro setor.

Foi divulgado recentemente o Global Innovation Index 2020, uma publicação da responsabilidade de reputadas instituições como a Cornell University e o INSEAD. Trata-se de um estudo que, contando já com treze edições, desenvolve uma análise das economias mundiais no que concerne à inovação. Das muitas e boas conclusões aí contidas, realço três.

Em primeiro lugar, evidencia-se que há uma relação muito forte entre o grau de inovação de um país e a produção de riqueza. Neste aspeto registe-se que Portugal surge na 31.ª posição mundial em termos de inovação, ao passo que no que respeita ao PIB per capita ocupamos o 37.º lugar. Ou seja, ao contrário do que por vezes se afirma, não é por falta de inovação que não estamos melhor.

Em segundo lugar, o estudo confirma a já recorrente falha do nosso país: somos melhores nos inputs do que nos outputs da cadeia de valor da inovação. Concretamente, ao nível das instituições e do capital humano e investigação estamos relativamente bem posicionados pois surgimos em 24.º e 25.º lugar, respetivamente; onde falhamos é na sofisticação dos mercados e dos negócios onde ocupamos a 65.ª e a 45.ª posição.

Por último, quando se relaciona o valor das marcas de cada país com o respetivo PIB per capita, verifica-se que estamos mais bem colocados neste indicador do que na vertente do branding. Isto é, com o nível de riqueza que geramos seria de esperar a existência de marcas mais fortes a nível internacional – coisa que acontece, por exemplo, com países como Itália e Espanha.

Muito se pode concluir deste estudo. Mas, mais uma vez, revela um défice crónico: em Portugal há falta de marketing. O que significa que, com os recursos que temos e o investimento que fazemos, seria expectável uma maior valorização dos nossos produtos e serviços, a existência de marcas globalmente mais fortes e, em última instância, maior riqueza gerada.

Alguém me dizia que o marketing era apenas a espuma no cimo da cerveja. De facto, é muito mais do que simples “espuma” – mas mesmo que assim fosse, a verdade é que, sem espuma, ninguém bebe a cerveja!

 

Carlos Brito, vice-reitor da Universidade Portucalense

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