Opinião: Alberto Castro

Fazer acontecer o dia depois de amanhã

Fotografia: Charly  Triballeau/AFP
Fotografia: Charly Triballeau/AFP

No meio do terrível impacto humano, social e económico, a pandemia acercou-nos das novas tecnologias. Muitas empresas fizeram da necessidade engenho

No dia 3 de junho, o Conselho Económico e Social promoveu uma conferência sobre a economia no dia depois de amanhã. Se a reabertura nos permitir respirar, justifica-se pensar como, e se, se poderia “reconstruir melhor” e, até, fazer acontecer algo diferente. A Comissão Europeia (CE), pela voz de Elisa Ferreira, alertava: “Há propostas legislativas da CE que (…) têm a preocupação (…) de que não façamos o futuro exatamente como era o passado, (…) de que os projetos tenham uma forte componente de respeito ambiental, de poupança energética (…) e de instalação de todas as tecnologias disponíveis, nomeadamente as digitais. Temos de recuperar virados para a frente e não repetindo aquilo que era o nosso passado. Toda esta dinâmica pode começar a ser preparada”. Pode e deve, acrescentaria. A esta urgência, a conferência somou a necessidade de realismo (não confundir desejos com realidade), assim como de este ser um processo informado.

Para começar, é preciso tentar perceber as dinâmicas externas. Talvez este não seja, ainda, o fim da economia mundial como a conhecemos. Porém, haverá mudanças na economia mas, também, na política, na tecnologia e no clima, ampliando a complexidade. Que espaço se nos abre?

A evolução recente da estrutura produtiva apetrechou-nos para responder aos novos desafios? A evidência é mista: nem foi tão boa como se quis fazer crer, nem tão má como outros diziam. Há resultados aquém do desejável e possível e a responsabilidade não é do contexto com que gostamos de nos desculpar. Temos potencial para uma ambição maior, assim haja capacidade de o organizar e gerir.

No meio do terrível impacto humano, social e económico, a pandemia acercou-nos das novas tecnologias. Muitas empresas fizeram da necessidade engenho, descobrindo inesperadas complementaridades e parcerias. O que se aprendeu pode, e deve, ser potenciado. Os caminhos que se vinham a percorrer na I&D e na inovação, cruzam-se com estes, fomentando-os? Nesta agenda, há políticas e incentivos a rever, num processo em que os parceiros sociais terão um papel crucial.

 
Alberto Castro, economista e professor universitário

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