Fechar mas "de forma inteligente" e com apoios

Faturação zero! É isso que significa um novo fecho para atividades como a restauração e o comércio não alimentar, admitido ontem pelo governo. Por isso, a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) está fortemente preocupada, bem como outras confederações e associações representativas destes setores. António Saraiva, presidente da CIP, pede "um confinamento inteligente", desta vez. Sem suporte, ou seja, sem apoios do Estado, estas áreas de atividade mergulharão num estado de agonia ainda mais profundo - do qual nunca saíram verdadeiramente. Pior, depois de mais este fecho - ainda que possa ser limitado -, muitas destas micro, pequenas e médias empresas poderão nunca mais conseguir levantar-se. A crise económica e social irá não só agudizar-se nos próximos meses, como se antevê que venha a ser muito prolongada.

"Este é um jogo de seleção", como se da Seleção Nacional de Futebol se tratasse, e não de clubes, "em que temos de trabalhar em conjunto", avisa António Saraiva. Uma imagem desportiva para traduzir a urgente necessidade de ativar, quanto antes, as promessas do Executivo. Os patrões não esquecem como foi lento, burocrático e difícil aceder às primeira ajudas quando a pandemia chegou a Portugal, em março. E desta vez pedem para se antecipar a capacidade de atuação. "As empresas têm de ser ajudadas para ultrapassar as novas restrições" e, na opinião do líder da CIP, são determinantes as "ajudas a fundo perdido" para superar mais este obstáculo na corrida contra a pandemia de covid. O governo admite essa hipótese bem como o regresso do lay-off simplificado, mas para os patrões há uma distância que tem de ser encurtada, para não cometer os mesmos erros do passado: é a distância entre o anúncio das medidas e a hora de atuar. Porque a faturação zero é quase certa, mas os custos fixos mantêm-se em grande parte.

Citando António Saraiva, "as empresas não vivem da comunicação das medidas, mas da aplicação concreta das medidas. Não chega anunciar, têm de ser postas em prática rapidamente".

Ontem foram batidos novos recordes nas estatísticas da covid: 118 mortos e 10 176 novos infetados em Portugal. Os números são impressionantes e não deixarão, certamente, outra saída que não seja confinar, para que o Serviço Nacional de Saúde não rebente pelas costuras. Espera-se, no entanto, que tenham sido aprendidas algumas lições do passado recente, quando a pandemia chegou a território nacional e a economia parou, deixando sem chão patrões, trabalhadores e famílias.

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