Filhos adultos, adolescentes e crianças

Tenho filhos adultos, adolescentes e crianças. E quem é que tira a loiça da máquina? Imaginem homens com idade para combaterem numa guerra a discutirem com crianças que ainda não sabem a tabuada dos 8 sobre quem tira a loiça a máquina. E sobre meias - não vou falar sobre meias. Não são poucas as vezes em que chego à sala e os adolescentes e os adultos deixaram passar as notícias porque se distraíram com os PJ Masks. Por outro lado, por assistirem a tantas notícias, tenho por lá crianças que se votassem, votavam Chega só para nos chatearem porque mudámos de canal (e porque gostam do coelho). Já iam apanhando dos irmãos por causa disso - uma pessoa tem de saber sustentar as suas convicções.

Os diferentes grupos etários transformam uma casa numa espécie de Torre de Babel. Pessoas diferentes com interesses, tamanhos, tons de voz diferentes que se encontram todos na cozinha e na sala à espera do jantar.

Mas o principal problema desta esquizofrenia de idades não são eles, sou eu. Eu sou uma mãe completamente diferente conforme a fase de cada um. E isso causa-me problemas de personalidade. Para os filhos adultos sou uma mãe mais nova, jovem - uma maravilha. Conversamos sobre tudo - amigos de uma vida - discutimos política, religião, pessoas, ambiente, o que for, e aos gritos como é costume entre os amigos de sempre. Amuamos e pedimos conselhos uns aos outros como se tivéssemos a mesma idade - o que revela a enorme imaturidade da minha parte.

Já com os adolescentes, sou uma mãe de meia idade, cansada, preocupada, daquelas que dizem "ai estes, miúdos..." e abanam a cabeça como só as mães sabem fazer. Oiço mais do que digo e quando digo é para dar sermões. E para compensar os sermões, sou uma fiel servidora dos desejos de suas excelências. Até que eventualmente perco a cabeça e volto a compensar e a abanar a cabeça. É isto e dizer que não: não podes, não vais, não compro, não deixo, não quero, não dou, porque não. Eles esticam de um lado, eu do outro; eles crescem e eu envelheço.

Por fim, as crianças. Ser mãe de crianças é uma ciência: não se percebe nada. E ao fim de anos e anos de ignorância, entreguei-me a esta sabedoria: não sei. Meia dúzia de regras intransigentes chegam, o resto é deixar andar. Dizem que eu mimo demais a minha criança. Os adolescentes e os adultos que ainda se lembram quando o foram, não têm dúvidas. E têm razão. Ele escolhe sempre uma coisa quando vai ao supermercado e outra quando vai ao café, e levanta-se da mesa mais cedo do que os outros sem levantar um prato; acho que não tem obrigações, além dos trabalhos da escola e de lavar os dentes. E eu rio-me. Não devia, eu sei, mas dá-me vontade de rir ver os outros ficarem indignados com tanta injustiça originada por apenas um metro de altura. E depois, chego à escola e sou a mãe mais velha. Lembram-se da mãe nova do mais velho? Aqui sou a mãe velha e nem mudei de roupa. Distúrbios de personalidade? Presente.

Jurista

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