Opinião

Fim de ciclo?

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Turistas em Lisboa. fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens

O crescimento do turismo em 2019 foi o mais baixo desde a última crise e estes números, nesta semana conhecidos, estão a preocupar tudo e todos.

Fim de ciclo? Quero acreditar que não, porque o turismo é um setor que já pesa 20% nas exportações nacionais e que desde 2014 tem vivido anos incrivelmente positivos. Contudo, vários responsáveis do setor da hotelaria e também da restauração começam a falar, precisamente, em “fim de ciclo”.

O crescimento do turismo em 2019 foi o mais baixo desde a última crise e estes números, nesta semana conhecidos, estão a preocupar tudo e todos. Os dados são do Banco de Portugal e vieram confirmar que em 2019, não sendo um ano propriamente fraquinho, existiu um abrandamento na atividade das viagens e do turismo. E o pior é que se registou o mais baixo crescimento desde 2013, ou seja, o ano da forte austeridade em Portugal.

Nas exportações, apesar de a fatia global que representa ainda ser grande (os tais 20%), em termos de crescimento caiu de 21% para 9,7% e 8,1%, nos anos 2017, 2018 e 2019. Perante estes factos podemos dizer que é possível continuarmos despreocupados? Não, não é.

O país tem de fazer mais. Reinventar-se, ter novas fontes de atração, grandes eventos, grandes exposições mundiais para ver e fazer que também isso, e não apenas as sardinhas e o sol, façam que os turistas guardem boas memórias de Portugal e queiram voltar. Vestindo a pele de um turista que vem hoje a Lisboa questiono que grande exposição de relevo internacional terá para ver, por exemplo? Bom, talvez a do Harry Potter, patente no Parque das Nações e numa tenda – já que não há um espaço livre de dimensão suficiente para acolher uma exposição deste tamanho – e por iniciativa de um privado, o empresário Álvaro Covões.

E que mais pode o turista visitar, além de igrejas e museus? É preciso questionar todos os dias como fazer melhor para que, depois de tantos portugueses se queixarem por turismo a mais, não passem a chorar por turismo a menos.

Nunca se criticou o turismo, nunca me pareceu excessivo e, pelo contrário, o país tem ainda muito a aprender e muito por onde crescer. O país é pequeno, mas a ambição, nomeadamente de Lisboa e Porto, tem de ser gigante para enfrentar os grandes concorrentes mundiais.

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