Opinião: Luís Miguel Ribeiro

Financiar o reforço do investimento

Fotografia: Artur Machado/Global Imagens
Fotografia: Artur Machado/Global Imagens

Temos de contrariar o forte abrandamento económico. As empresas terão de ser o ator principal na promoção de um crescimento mais forte e sustentável

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou as contas nacionais definitivas para 2017 e preliminares para 2018, segundo a nova base, com implicações significativas no crescimento real do PIB e de algumas das suas componentes.

Ficamos a saber que, em 2017, a economia cresceu 3,5%, em vez dos 2,8%. Em 2018, a revisão aponta para 2,4%, em vez dos 2,1%.

Embora reporte ao passado, esta revisão em alta é um sinal positivo, traduzindo um superior dinamismo. Mas o facto de termos crescido mais do que aquilo que pensávamos significa, também, que a magnitude do abrandamento foi mais acentuada (1,1 pontos percentuais do PIB e não 0,7).

É na inversão desta evolução que deve residir a principal preocupação e ação do país – isto é, temos rapidamente de contrariar o forte abrandamento económico.

Não tenho dúvida em colocar as empresas como o ator principal na promoção de um crescimento mais forte e sustentável. Um crescimento que assente em acréscimos de produtividade, em que releva a questão da qualificação dos recursos humanos, que promova o aumento da intensidade exportadora líquida, que gere maior valor acrescentado nacional, que reforce a inovação, a circularidade na economia e a eficiência na utilização de recursos e, ainda, que promova a coesão territorial.

Tudo isto exige um forte investimento, sobretudo empresarial privado, pelo que é preciso criar condições para investir mais. Entre essas condições, as de financiamento são muito relevantes, como mostra o Inquérito de Conjuntura ao Investimento do INE, onde a dificuldade em obter crédito bancário é destacado pelas empresas como um dos principais fatores limitativos ao investimento, sendo o segundo principal referido pelas exportadoras da indústria transformadora. Em terceiro lugar surge a Insuficiência da capacidade de autofinanciamento, o que demonstra a importância de outro tema – o da capitalização das empresas.

Como sublinhei na Conferência Sucessão nas Empresas: uma oportunidade de crescimento, integrada no ciclo Conferências do BEM (Banco Empresas Montepio), desejavelmente o sistema financeiro deve ter uma postura proativa, construindo soluções direcionadas às necessidades das empresas, com uma orientação focada no reforço mais intenso do investimento e das exportações e, por essa via, na dinâmica da economia.

É, também, esta postura de intervenção que queremos e que precisamos do próximo governo.

 

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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