Opinião

A ambição da OGMA

(TIAGO PETINGA/LUSA)
(TIAGO PETINGA/LUSA)

A OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, uma empresa centenária localizada em Alverca, é um bom exemplo de como a aposta na criação de valor e na promoção de uma cultura de responsabilidade social são a base de um capital de prestígio único e de uma base competitiva sustentada ao longo do tempo. Detidas desde a privatização pela multinacional brasileira Embraer – que tem duas fábricas em Évora, agora em fase de consolidação estratégica com a ligação à Boeing – e pelo Estado Português, a OGMA tem um papel central na dinamização do cluster aeronáutico nacional – protagonizado pela AED – e na afirmação de uma agenda estratégica de inovação e competitividade para a nossa economia.

A aposta numa política estratégica de clusters centrados na abordagem dos mercados internacionais tem na OGMA um bom exemplo prático. Nas suas diferentes áreas de intervenção – área da defesa, área civil, motores, entre outras – a OGMA tem sabido conciliar a aposta em mercados consolidados e em novas oportunidades comerciais. Portugal precisa nos sectores mais dinâmicos da economia – Tecnologias de Informação e Comunicação, Biotecnologia, Automóvel e Aeronáutica, entre outras fileiras – de reforçar as suas “redes ativas” de atuação nos mercados globais envolvendo os principais protagonistas sectoriais (Empresas Líderes, Universidades, Centros I&D), cabendo às agências públicas um papel importante de contextualização das condições de sucesso de abordagem dos clientes. O exemplo da OGMA tem por isso que ser potenciado.

Por isso importa que os actores envolvidos neste processo de construção de valor percebam o alcance destas apostas estratégicas. Não se pode querer mobilizar o país para um novo paradigma de desenvolvimento, centrado numa maior equidade social e coesão territorial, sem partilhar soluções estratégicas de compromisso colaborativo. A ambição da OGMA passa por isso. Por perceber que a aposta em Projectos Estratégicos como os Clusters de Inovação e os Pólos de Competitividades são caminhos que não se podem adiar mais. A guerra global pelo valor e pelos talentos está aí e quem não estiver na linha da frente não terá possibilidades de sobrevivência. E saber consolidar redes de conhecimento e de parceria estratégica será a chave da mudança.

A ambição da OGMA é muito a ambição daqueles que estão sintonizados com a agenda de valor que há 25 anos Michael Porter veio defender a Portugal. Se não houver um verdadeiro sentido de responsabilidade colectiva estratégica à volta do novo paradigma de desenvolvimento para o futuro, tudo será posto em causa. Será acima de tudo o principio de um fim que nunca pensámos poder vir a ter e que não se coaduna com a nossa vontade de mudança. É por isso efectivamente grande o desafio que espera a fileira da aeronáutica nas suas diferentes dimensões de intervenção. E a OGMA estará – como sempre estive nestes 102 anos de existência – na linha da frente dessa aposta.

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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