Garantir o emprego, salvar a economia

Este é um momento que exige uma grande coesão nacional e solidariedade de todos: empresas, trabalhadores, governo, cidadãos.

Impedir que a pandemia tenha um impacto económico severo é já, infelizmente, uma impossibilidade. Atenuar esse impacto é uma exigência. Atenuá-lo em duas dimensões interligadas: garantir que o maior número possível de empresas sobrevive às dificuldades atuais; garantir que, para sobreviver, as empresas não tenham de recorrer a despedimentos. O objetivo é, também ele, duplo: evitar os custos sociais do desemprego e assegurar que, quando as restrições forem levantadas, seja possível reativar fácil e rapidamente a capacidade produtiva, para impulsionar a recuperação.

Do ponto de vista do interesse nacional, a palavra de ordem é, portanto: garantir o emprego e salvar a economia.

Ao governo, são exigidas respostas adequadas, rápidas e eficazes no apoio à tesouraria das empresas e na adequação dos mecanismos laborais a esta situação. Temos assistido a um esforço nesse sentido, com uma atitude dinâmica, refletida no ajustamento das medidas que vão sendo tomadas, na sua dimensão, na sua configuração. Do lado do movimento associativo empresarial e das suas confederações de cúpula, continuamos a apresentar as nossas propostas, quer com o objetivo de um acesso mais fácil, mais rápido e mais abrangente às medidas já decididas, quer em termos de novas medidas. Temos sido críticos e construtivos. Temos sido ouvidos. É um caminho que está a ser feito em diálogo constante, com a responsabilidade que a situação exige.

Mas resposta não está só do lado do governo. Precisamos de unir esforços. Este é um momento que exige uma grande coesão nacional e solidariedade de todos: empresas, trabalhadores, governo, cidadãos.

Como tenho afirmado, este é um jogo de seleção, não de clubes rivais. Partilhamos os mesmos objetivos, temos o mesmo adversário pela frente: o desemprego. Muitas vezes, na concertação social, negociamos, legitimamente, tendo em conta os interesses que representamos. Desta vez, não estamos a negociar. Estamos, com humildade, a aprender a enfrentar uma situação inédita, que toma novos contornos em cada momento. Estamos, juntos, a procurar as melhores soluções para, como disse, garantir o emprego e salvar o país. Se, infelizmente, nem todos estarão imbuídos deste espírito, é tempo de mudar de atitude. Não fiquemos agarrados a preconceitos ideológicos nem a dogmas ultrapassados.

Do sucesso que tivermos, hoje, na atenuação do impacto da pandemia sobre as empresas e os seus trabalhadores depende, também, a rapidez e o dinamismo da recuperação.

Se esta crise é marcada pela imprevisibilidade, a grande diferença relativamente a outras crises, de origens e naturezas bem diferentes, é que temos a certeza de que o fator que a desencadeou vai extinguir-se, num prazo que não será muito distante. Isso faz toda a diferença no modo como atuamos e, sobretudo, na confiança que, contra tudo e contra todos, podemos manter.

Lutemos, então, solidários, responsáveis, com lucidez, mas também com esperança.

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