Opinião

Garantir o emprego, salvar a economia

O ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira e o Ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno. Foto: EPA/TIAGO PETINGA
O ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira e o Ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno. Foto: EPA/TIAGO PETINGA

Este é um momento que exige uma grande coesão nacional e solidariedade de todos: empresas, trabalhadores, governo, cidadãos.

Impedir que a pandemia tenha um impacto económico severo é já, infelizmente, uma impossibilidade. Atenuar esse impacto é uma exigência. Atenuá-lo em duas dimensões interligadas: garantir que o maior número possível de empresas sobrevive às dificuldades atuais; garantir que, para sobreviver, as empresas não tenham de recorrer a despedimentos. O objetivo é, também ele, duplo: evitar os custos sociais do desemprego e assegurar que, quando as restrições forem levantadas, seja possível reativar fácil e rapidamente a capacidade produtiva, para impulsionar a recuperação.

Do ponto de vista do interesse nacional, a palavra de ordem é, portanto: garantir o emprego e salvar a economia.

Ao governo, são exigidas respostas adequadas, rápidas e eficazes no apoio à tesouraria das empresas e na adequação dos mecanismos laborais a esta situação. Temos assistido a um esforço nesse sentido, com uma atitude dinâmica, refletida no ajustamento das medidas que vão sendo tomadas, na sua dimensão, na sua configuração. Do lado do movimento associativo empresarial e das suas confederações de cúpula, continuamos a apresentar as nossas propostas, quer com o objetivo de um acesso mais fácil, mais rápido e mais abrangente às medidas já decididas, quer em termos de novas medidas. Temos sido críticos e construtivos. Temos sido ouvidos. É um caminho que está a ser feito em diálogo constante, com a responsabilidade que a situação exige.

Mas resposta não está só do lado do governo. Precisamos de unir esforços. Este é um momento que exige uma grande coesão nacional e solidariedade de todos: empresas, trabalhadores, governo, cidadãos.

Como tenho afirmado, este é um jogo de seleção, não de clubes rivais. Partilhamos os mesmos objetivos, temos o mesmo adversário pela frente: o desemprego. Muitas vezes, na concertação social, negociamos, legitimamente, tendo em conta os interesses que representamos. Desta vez, não estamos a negociar. Estamos, com humildade, a aprender a enfrentar uma situação inédita, que toma novos contornos em cada momento. Estamos, juntos, a procurar as melhores soluções para, como disse, garantir o emprego e salvar o país. Se, infelizmente, nem todos estarão imbuídos deste espírito, é tempo de mudar de atitude. Não fiquemos agarrados a preconceitos ideológicos nem a dogmas ultrapassados.

Do sucesso que tivermos, hoje, na atenuação do impacto da pandemia sobre as empresas e os seus trabalhadores depende, também, a rapidez e o dinamismo da recuperação.
Se esta crise é marcada pela imprevisibilidade, a grande diferença relativamente a outras crises, de origens e naturezas bem diferentes, é que temos a certeza de que o fator que a desencadeou vai extinguir-se, num prazo que não será muito distante. Isso faz toda a diferença no modo como atuamos e, sobretudo, na confiança que, contra tudo e contra todos, podemos manter.

Lutemos, então, solidários, responsáveis, com lucidez, mas também com esperança.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
coronavirus turismo turistas

ISEG. Recessão em Portugal pode chegar a 8% este ano

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. JOÃO RELVAS/LUSA

Pedidos de lay-off apresentados por 33.366 empresas

coronavirus lay-off trabalho emprego desemprego

Rendimento básico incondicional? “Esperamos não ter de chegar a esse ponto”

Garantir o emprego, salvar a economia