Opinião

Geração 4.0

Fotografia: REUTERS/ Nacho Doce
Fotografia: REUTERS/ Nacho Doce

"Apostaria, mesmo, que hoje existe na indústria portuguesa de calçado a mais bem preparada geração de sempre"

Há uma nova geração de empresários a emergir no tecido económico português. Desenganem-se, porém, todos aqueles que pensariam que essa nova realidade se circunscreveria aos emergentes setores da economia.

Conheço particularmente bem a realidade da indústria portuguesa de calçado. Uma indústria que, na última década, foi capaz de se reinventar. Apostou em novos talentos e, hoje, apresenta-se nos mercados internacionais como uma indústria jovem, moderna, voltada para o futuro, que combina o saber-fazer acumulado às tecnologias de ponta, a aposta na marca e a valorização do design. Apostaria, mesmo, que hoje existe na indústria portuguesa de calçado a mais bem preparada geração de sempre. Uma geração capaz de projetar o calçado português para novos patamares de excelência. É precisamente nos setores ditos tradicionais que esta nova geração, a Geração 4.0, mais tem feito a diferença, precisamente porque tem sido capaz de aliar as competências académicas aos indispensáveis ensinamentos empresariais da geração que lhes precede.

Os números não enganam. Na última década, o calçado português registou um desempenho notável. Fruto de uma profícua combinação entre estratégias empresariais concertadas, uma forte ligação às universidades e entidades do sistema científico e tecnológico e políticas públicas acertadas, as exportações portuguesas de calçado aumentaram mais de 60% na última década – atingiram um novo máximo histórico de dois mil milhões de euros em 2017 -, o número de empresas cresceu mais de 25% e foram, em toda a fileira, criados mais de 10 mil novos postos de trabalho.

Estes bons resultados recentes não constituem, ainda assim, uma garantia de conquistas no futuro. Por esse motivo, na indústria de calçado anteveem-se novos modelos de negócio. Com a apresentação do Roteiro do Cluster do Calçado para a Economia Digital, a indústria portuguesa de calçado irá investir 50 milhões de euros até 2020 e pretende assumir a liderança mundial na relação com os clientes, através da sofisticação do produto, da resposta rápida e ao nível de serviço. Adicionalmente, a grande prioridade, que será extensiva a todos os restantes setores industriais portugueses, passa por captar novas gerações de talentos.

O nosso futuro competitivo estará diretamente associado à capacidade de atrair novas competências.

Presidente da Ass. Por. Industriais do Calçado APICCAPS

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