Há outros jogos para ganhar

Não foi só no campo futebolístico que a semana que passou nos trouxe notícias animadoras. A cimeira entre os Estados Unidos e a União Europeia marcou o regresso do diálogo transatlântico, já com um resultado bem concreto: a suspensão de tarifas retaliatórias no comércio entre os dois blocos, pondo fim a um conflito comercial de 17 anos motivado pelas acusações recíprocas de ajudas ilegais à Boeing e à Airbus.

Ultrapassados todos os percalços políticos e requisitos legislativos, a Comissão Europeia procedeu à primeira emissão de obrigações, começando a captar no mercado os mais de 800 mil milhões de euros de dívida comum previstos para financiar o plano de recuperação europeu. Mais do que uma simples operação financeira, tratou-se de um marco histórico de como a Europa é capaz de agir conjuntamente para defender o interesse de todos.

Entre nós, as expectativas de uma recuperação mais rápida e robusta do que o esperado foram alimentadas pelas novas projeções macroeconómicas, mais favoráveis, divulgadas pelo Banco de Portugal. De acordo com estas projeções, a contração da atividade económica observada no início do ano poderá ser já revertida no segundo trimestre e o regresso do PIB aos níveis do final de 2019 deverá acontecer no início de 2022. Prevê-se que o crescimento do PIB em 2021-23 seja superior ao da área do euro, compensando a maior quebra registada em 2020.

Finalmente, a avaliação positiva do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) de Portugal por parte da Comissão Europeia abre caminho para a aprovação deste plano pelo Conselho, dentro de quatro semanas, permitindo um primeiro desembolso de pré-financiamento de 2,2 mil milhões de euros. São conhecidas as críticas que tenho tecido ao PRR. Teria sido possível melhor, sem dúvida.

Mas, agora, os dados estão lançados e é tempo de passar do plano para a concretização. É preciso colocar no terreno, com urgência, os instrumentos de capitalização das empresas, há muito prometidos. É preciso executar com transparência, com processos de seleção abertos, com critérios de escolha adequados e conhecidos à partida. É preciso ajustar os procedimentos e o funcionamento das estruturas à realidade das empresas e às suas necessidades. É preciso associar os investimentos previstos às reformas que propiciem um ambiente de negócios mais favorável ao relançamento industrial e à competitividade das empresas.

Como afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o trabalho difícil começa agora.

Se nesta semana tivemos boas notícias, muitas ameaças ensombram ainda o horizonte. A situação de muitos setores permanece dramática. E se noutros a escassez da procura está a aliviar, surgem agora problemas crescentes nas cadeias de abastecimento, com aumentos violentos dos custos de transporte e do preço de matérias-primas, ou mesmo falta pura e simples dessas matérias no mercado. Dos metais industriais aos polímeros, das fibras têxteis aos semicondutores, o problema está a alastrar e trava a capacidade de resposta de muitas empresas às encomendas dos clientes, impondo mesmo, nalguns casos, a interrupção da atividade.

Nesta semana marcaram-se golos, é certo, mas há ainda muitos jogos para ganhar.

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