Habitar o Futuro

Vivemos um tempo em que somos permanente e aceleradamente desafiados para acompanhar as mudanças demográficas, sociais e culturais que alteram periodicamente a face das cidades.

Para conseguirmos acompanhar e compreender essa mudança sistemática, temos, por vezes de nos obrigar a parar para escutar, refletir e assimilar conhecimento.

A Conferência Internacional "Habitar o Futuro", que marca o momento público inaugural dos 25 anos da GEBALIS, pretende contribuir para uma reflexão profunda sobre estes novos desafios que se colocam às políticas públicas urbanas, em concreto às da habitação.

Nestes tempos, em que as velhas e já conhecidas respostas, parecem já não ser tão eficazes para dar conta desta crescente complexidade, impõe-se o desenvolvimento de novas abordagens e de construção de novas respostas.

Os relatórios do Observatório de Habitação Europeu, e mais recentemente da OCDE, apresentam dados que revelam que vivemos uma crise habitacional global, desde 2015, com impacto na vida concreta das pessoas, aumentando o risco de pobreza e exclusão social.

É inquestionável a necessidade do apoio social ao nível da habitação, mas também a adoção de uma abordagem urbana integrada que permita dar respostas aos problemas existentes, alguns estruturais, que estão na base destas situações, em detrimento de políticas e respostas pontuais e dispersas.

Torna-se então essencial repensar as políticas de habitação, a diferentes níveis, procurando afirmar políticas de habitação robustas, integradas e em permanente interação com outras políticas estruturais, que possam efetivamente influenciar todas as dimensões de uma cidade: social, económica, ambiental e cultural.

Às questões da habitação, juntam-se as ambientais, da mobilidade, da digitalização, da energia, do consumo, da distribuição espacial e da justiça social, mostrando como uma abordagem urbana integrada pode fornecer iniciativas políticas sustentáveis, sobretudo para quem tem responsabilidades na Gestão Habitacional.

Em sequência são várias as considerações que emergem: Poder-se-á prever modelos de intervenção pública e os seus efeitos no futuro? Quais os impactos da pandemia Covid 19 nos modelos públicos de habitação? Qual o papel das iniciativas públicas locais, nacionais e globais para a inovação e sustentabilidade no campo da habitação? Quais são os novos problemas e, consequentemente, quais são as novas necessidades que devem ser atendidas?

São estas, e tantas outras interrogações, de igual centralidade nas futuras políticas de habitação, que é preciso aprofundar.

Foi esse o ambicioso desígnio da "Habitar o Futuro". Uma jornada de conhecimento e reflexão sobre um tema cada vez mais presente na agenda local, nacional e global. Central na vida das cidades

Foram deixadas pistas e propostas por reputados especialistas, sendo transversal a ideia de que o garantir de acesso à habitação de qualidade para todos, nas suas diferentes dimensões, assenta obrigatoriamente num bom planeamento e na execução de politicas de habitação estruturantes e universalistas, suportadas por instrumentos de gestão fortes.

Presidente do Conselho de Administração da Gebalis//Escreve à quinta-feira

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