Hemorragia

Agora já temos, nas contas do INE, um retrato do que se passou na
economia em 2011. Consumos privado e público que, somados,
representam sete oitavos do produto interno (PIB), caíram 3,9%. Os
do Estado acentuaram a queda no último trimestre, seguramente pela
ação política do Governo PSD/CDS. Mas a queda mais forte da
procura interna, de 5,7%, contém o recuo (sem precedentes nos 16
anos com dados estatísticos comparáveis) tremendo de 14% no
investimento.

A despesa com máquinas e equipamentos recuou 10,1%; a
construção ficou 11,5% abaixo de 2010; o material de transporte
contraiu 22,9%! É Portugal a encolher-se, sobretudo face ao futuro:
o investimento nunca teve uma expressão tão reduzida no PIB e, em
euros comparáveis, fica-se um terço abaixo do desempenho mais
pujante, o de 2001.

O tecido empresarial está a sofrer o maior
impacto negativo de que há memória, não só por quebra do consumo
interno, expressão do ajustamento em curso das finanças familiares.
A isso soma-se o fecho de unidades não suficientemente competitivas
mais as que se encontram em processo acelerado de reconversão
produtiva. O ano de 2011 só não se saldou por uma recessão da
dimensão da de 2009, graças ao bom desempenho do comércio externo,
no qual as exportações cresceram 7,4%, em volume, enquanto as
importações – com o desfalecimento da procura interna – eram
arrastadas para um recuo de 5,5%.

Contas feitas, o PIB (em euros
correntes) recuou 1560 milhões de euros, mas o défice externo
diminuiu quase 5600 milhões! Os estrategas desta política económica
olham, enlevados, para estes números. Era exatamente isto que
pretendiam e, por isso, a orientação continuará em 2012. Só que o
recuo do consumo das famílias será maior que em 2011 e as
exportações vão lutar com ventos contrários da procura externa,
vindos da Europa.

O resultado final previsível será o encolher bem
maior que o de 2011. O outro lado desta moeda é o desemprego. É
urgente fechar a hemorragia do investimento. Os portugueses precisam
com urgência de bons projetos empresariais que criem emprego e
rendimento sustentáveis e combatam o empobrecimento que grassa no
país!

Redator principal

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