Hipermercados: Um formato em vias de transformação

56 anos após a abertura do primeiro hipermercado, nos arredores de Paris, com a insígnia Carrefour, é hoje uma evidência que, em alguns países europeus, o formato hipermercado entrou em declínio pois a sua expansão estagnou, o seu ROI decresceu e são manifestas as dificuldades em responder aos formatos concorrentes.

A própria insígnia fundadora deste formato, o Carrefour, a partir de 2008, começou a perder vendas quer em França quer em Espanha, Itália e Bélgica, travou fortemente a sua expansão nestes países e iniciou um processo de reflexão que culminou na criação do novo conceito o Carrefour Planet que afinal … não resultou e foi descontinuado.

A filosofia "tudo debaixo do mesmo teto" onde assentava o principio virtuoso de combinar as categorias de produtos FMCG com margens baixas e as categorias de produtos não alimentares que beneficiavam de margens mais generosas, que no cômputo geral e por força de um elevado índice de rotação permitia gerar rentabilidades interessantes, parece agora estar a deixar de resultar para o hipermercado.

O aparecimento de lojas de proximidade e a expansão de uma nova geração de lojas discounts que combinavam novas tecnologias, maiores sortidos, melhor ambiente de loja, marcas próprias dos distribuidores, novos serviços e principalmente preços mais baixos e competitivos desviaram consumidores e vendas dos hipermercados, demasiado grandes e longínquos e diminuíram a sua formidável capacidade de atração que antes possuíam.

Também em Portugal o fenómeno acontece e os hipermercados têm paulatinamente vindo a perder quota de mercado possuindo hoje cerca de metade da quota dos supermercados que é de 48% e não incluindo as lojas discount cuja quota é de 14%. Por exemplo, em 2018 não abriu nenhum hipermercado enquanto o formato supermercado abriu 160 novas lojas.

É pois inegável que o conceito hipermercado está a entrar na fase de declínio mas tal significará a sua morte anunciada? Penso que não uma vez que nenhum conceito comercial alguma vez se extinguiu por completo. Aliás há muito que defendo que a Lei de Lavoisier se aplica como uma luva aos formatos comerciais, isto é, nenhum se perde, nenhum se cria, todos se transformam. E esta transformação passará por um processo de miscigenação do formato híper com os formatos centro comercial e grande armazém pelo que no futuro a próxima geração de hipermercados possuirão elementos comuns a estes três conceitos.

Mas provavelmente o novo conceito que ressurgirá deste processo de miscigenação já não se chamará… hipermercado.

José António Rousseau, Docente e investigador da UNIDCOM/IADE/IPAM

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