Opinião

Imagem: ADN e credibilidade de uma empresa no mundo digital

Vera Teixeira da Costa, Consultora de Comunicação e Imagem Jurídica
Vera Teixeira da Costa, Consultora de Comunicação e Imagem Jurídica

Com a pandemia da covid-19, a ONU publicou em junho um relatório, ‘Plano de Cooperação Digital’, no qual é proposto atingir a conectividade universal até 2030. No mesmo relatório são referidas questões relacionadas com a Internet, a inteligência artificial e outras tecnologias digitais que ficaram evidenciadas na pandemia.

Este momento define, pois, o princípio de uma aposta óbvia das empresas: a imagem. A instrumentalização dos canais digitais, sobretudo os Websites e as Redes Sociais, vieram impor à imagem a função de ferramenta comunicacional, sendo ela o principal elemento revestido de valores técnicos e simbólicos que agem sobre o indivíduo.

Importa reconhecer que é sobretudo no campo digital que uma empresa comunica o seu ADN. E, tão ou mais importante que o ADN é a credibilidade que transmite, o que também justifica o ininterrupto desfile de Websites que vão sendo lançados e relançados nos últimos meses.

No enquadramento digital, a componente de design, ou seja, a definição da linha gráfica é decisiva para fazer com que os olhos do público cresçam. Tudo começa aqui.

A Internet é um espaço de oportunidades e o grafismo de uma marca constitui um léxico de comunicar a partir de novas equações imagéticas. Daí ter alcançado uma dimensão estética tão acurada. É por isso que a experiência técnica e também o conhecimento em matéria de imagem digital são imperativos para se conseguir a desarmante diferenciação em cada um dos setores.

Se a técnica e a experiência forem retiradas desta equação, a fragilidade estética destacar-se-á desastrosamente colocando em causa a credibilidade de uma empresa. Tornou-se, assim, um desafio posicionar no espaço digital uma marca que não simbolize qualquer uma outra reprodutibilidade gráfica. O design padronizado identifica-se logo no layout e a sua trivialidade destrói o efeito de impacto associando-se, com efeito, à falta de singularidade.

Há, evidentemente, uma validação e importância atribuída à imagem que, por sua vez, tem o poder de nos interpelar e assediar. Fica na memória: para o bem e para o mal.

Aqui é importante compreender o que pretende, afinal, uma empresa com a sua presença na web. A resposta será certamente cativar e conectar-se com o mundo. O impacto de uma imagem gera o efeito de conexão que imediatamente a seguir se adensa na esfera digital. Esta intersecção constitui uma referência angular sobre o nosso modo de comunicar. Poder-se-á dizer que a imagem mostra-se interativa.

Vejamos.

Jeremy Leslie, fundador da MagCulture, com sede em Londres, disse à Eye On Design que os designers têm vindo a apostar no motion effect das capas de revistas e que, nos últimos meses, os clientes são atraídos ao consumo por causa da imagem que veem publicada previamente online. Deste modo, percebemos que a visão é entendida como sentido dominante e que na esfera digital é uma tendência que tende a ser naturalizada pelo momento que estamos a viver.

Também a Vanity Fair surpreendeu com a capa de setembro – disruptiva de todas as outras – com Breonna Taylor pintada por Amy Sherald onde podemos ler sobre a violência do racismo, no incrível artigo “The Great Fire”, assinado por Ta-Nehisi Coates.

A associação entre a imagem e a mensagem possibilitam novas interações e promovem a confiança do indivíduo em relação a uma marca.

A confiança na esfera digital é também ela um dos objetivos a alcançar pela ONU, em 2030, através da conectividade universal. Assim chegamos ao ponto de afirmar que a confiança compõe o mosaico da narrativa de uma empresa na Web.

Recentemente, podemos ler na TIME (Inside the Democrats’ Plan to Win Back the Internet) que Joyce Greenberg Brown, responsável pelo plano de estratégia da campanha política de Joe Biden, que também liderou os movimentos de incentivo ao voto nos anos de 2008 e 2012 de Barack Obama, reconhece que, por força da pandemia, foi forçada a estar no Google ao invés de estar nas ruas do Estado da Florida. A sua estratégia consiste em reunir dezenas de designers para a construção da imagem gráfica da campanha e, depois, interagir com o público através do Facebook e Twitter. Os eventos de rua foram substituídos pela comunicação via Zoom e promovidos a partir do Instagram e TikTok que foram vistos mais de cinquenta milhões de vezes. Com isto, Joyce Greenberg Brown percebeu que para ganhar votos e confiança é preciso primeiro ganhar a Internet. A ideia é também promovida por Tim Lim, que lidera com Joyce Greenberg Brown a estratégia de campanha de Biden. Tim Lim vem acrescentar que “o digital é o novo campo”. A aposta no digital levou à criação da app ‘Vote Joe’ e, só no mês de abril, os apoiantes de Biden cresceram 87%.

Estamos, pois, perante uma transitoriedade dominada pela esfera digital, um espaço cada vez mais vivenciado – e é nele que a imagem e a comunicação encontram a sua força.

Vera Teixeira da Costa, Consultora de Comunicação e Imagem Jurídica

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Fotografia: Arquivo/ Global Imagens

Transações de casas caíram 35,25% em abril. Preços começam a abrandar

(João Silva/ Global Imagens)

Estrangeiros compraram menos casas em Portugal em 2019. Preço por imóvel subiu

(JOSÉ COELHO/LUSA)

Cadeias de retalho contra desfasamento de horários. Aguardam publicação da lei

Imagem: ADN e credibilidade de uma empresa no mundo digital