Imobiliário no grande Porto - como vai ser o pós-Covid?

O TEMPO, essa variável fundamental nas actividades económicas, já vai longo desde o aparecimento do Covid e o ano de 2020 está a esgotar-se. A crise pandémica, que esteve relativamente atenuada no verão, voltou em força e não nos larga há quase oito meses. O impacto é pois muito mais profundo e duradouro do que se imagina e sobretudo do que se desejava. A tão esperada evolução que se perspectivava ser em V, está a ser semelhante a W, com altos e baixos e não sabemos ao certo quantos ciclos se seguirão. O futuro continua pois incerto.

Temos hoje a certeza que o impacto que a pandemia Covid -19 está a provocar na economia e na sociedade é muito mais profundo do que o espectado e desejado.

O nosso comportamento colectivo e a ciência, constituem os dois vectores principais que determinarão o que irá suceder daqui para a frente.

Importa registar que na região do Grande Porto, na recta final do Verão, os negócios voltaram a acontecer aos poucos, com particular incidência na procura de habitação para arrendar e para habitação própria, constituindo este segmento um eterno e consistente pilar do imobiliário. Esta tendência, tem permitido captar algum investimento, dando luz à máxima de que investir em imóveis é rentável e constitui um refúgio seguro em momentos de crise.

Já os sectores do turismo e dos serviços, "hibernaram" e, enquanto não "despertarem do sono", o impacto da crise nos projectos imobiliários orientados para estes segmentos, continuará a ser muito vincado.

Procurando agora perspectivar o que vai acontecer no Pós-Covid na nossa região, há que reconhecer o seguinte:

. As necessidades que existiam, continuarão a existir, seja no segmento habitacional, seja no turismo, seja nos serviços e comercio. Os ritmos de recuperação, não serão naturalmente uniformes;

. O negócio imobiliário é de grande inercia e de ciclo longo, o que no presente permite uma resposta resiliente e adaptada às circunstâncias;

. Os promotores imobiliários estão hoje menos dependentes do crédito, do que estava no passado, pelo que o sector imobiliário tem podido "aguentar". Os preços de venda continuam a não baixar.

Deste modo, volto a fazer referência à variável TEMPO, com que iniciei este artigo. Se a crise não se prolongar de forma indefinida e se os promotores imobiliários forem capazes de apontarem para soluções que correspondam às novas tendências, haverá condições para que, quer na região do Grande Porto, quer no país, se retome a actividade no médio prazo de forma consistente. Façamos votos, que o médio prazo seja já 2021.

* José Carvalho - CEO do Grupo Omega.

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