Opinião

Impactos da Inteligência Artificial

47% dos postos de trabalho estão em risco e 6% serão eliminados até 2021.

A melhor forma de captar a atenção do leitor para este artigo é, em letras garrafais, anunciar que 47% dos postos de trabalho atuais estão em risco e que 6% dos mesmos serão eliminados até 2021. Atemoriza e capta atenção.

Estes números foram adiantados pela Forrester num estudo realizado acerca dos impactos previstos pela entrada de novas tecnologias e digitalização no nosso mundo, mais em concreto e sobretudo devido à massificação da Inteligência Artificial.

Nos últimos meses dediquei parte do meu tempo a um programa de especialização focado nas disrupções digitais, impactos nas empresas e economias, com uma turma e grupo de trabalho magnífico, desafiando-me olhar para os números acima num ângulo diferente, mais promissor e que passo a detalhar.

Concordando, em menor ou maior escala com o estudo da Forrester, a minha opinião saiu reforçada face à crença inicial. Os postos de trabalho indiferenciados, repetitivos e altamente previsíveis estão em risco, mas outros tantos serão criados com características digitais e mais desafiantes para quem os executar. Também os portefólios de oferta terão de ser revisitados e adaptados em função da maturidade digital das empresas e expetativas dos consumidores.

Por outro lado e ao mesmo tempo, a economia será injetada por um investimento titanesco e verticalizado nas novas tendências digitais, estando o mesmo já a ser sentido no nosso país. É expetável que o efeito do investimento em Inteligência Artificial faça subir os ponteiros da balança do mercado envolvente, de aproximadamente 4 mil milhões de euros para 60 mil milhões de euros até 2025.

Quais são então os desafios das empresas nativamente digitais e das tradicionais?

As empresas que nasceram na era digital diferenciam-se claramente no seu posicionamento, abordagem e oferta face às tradicionais.

Alavancadas por frameworks, infraestruturas e serviços como machine learning, deep learning, redes neuronais, plataformas cognitivas, reconhecimento de imagens, compreensão de linguagem natural, algoritmos de recomendações ou predictive analytics, afirmaram-se como líderes globais indiscutíveis, capazes de ditar tendências e quebrar legados.

Dois dos exemplos mais gritantes são a Netflix e Youtube, que assentes nas capacidades da Amazon e Google, nativamente digitais, atingem milhões de clientes e quebram todos os records de utilização e NPS (Net Promoter Score), gerando o tão procurado Positive Feedback Rating que cria um ciclo crescente de utilização sem necessidade de grandes estratégias de trade marketing.

Se olharmos para as empresas tradicionais, mais em concreto para os operadores, sente-se uma clara vontade em apostar, aprender e tirar o máximo partido da Inteligência Artificial em áreas como planeamento de rede, operações inteligentes, canais de atendimento modernos, disponibilização de assistência técnica via realidade virtual ou aumentada, oferta de serviços diferenciadora, tratamento dos dados e foco no cliente e sua experiência.

Mas fica também a ideia de estarem numa encruzilhada, ou seja, a tentar perceber o impacto de tomadas de decisão estratégicas e comportamento das receitas, ao mesmo tempo que definem um roadmap digital, cultural, evolutivo ou transformacional, que os permita reposicionar na nova era dando resposta aos verdadeiros interesses e hábitos dos consumidores.

Em conclusão, pode dizer-se que existem quatro eixos que deverão sempre ser contíguos e equilibrados de forma a garantir a correta afirmação da Inteligência Artificial nas nossas empresas, nativamente digitais ou não, e sobretudo na nossa vida quotidiana.

O eixo social, que se preocupa em ter respostas a questões como o emprego, o futuro e bem-estar das pessoas e famílias, o financeiro, garantido a saúde das empresas, economia e a viabilidade dos investimentos, o tecnológico, por via da investigação e sua aplicabilidade, permitindo a inovação de impacto, e por fim, mas não menos importante, o ético, colando todas as peças num fundo de verdade, transparência e acima de tudo indulgência que garanta decisões inteligentes e sustentáveis.

Cumprindo estes princípios, aceitando e desafiando a inovação e mudança, teremos certamente pela frente um futuro estimulante, mágico e possivelmente com um universo de inteligência e emoções paralelo à realidade atual.

Alexandre Ruas, Telecom & Media Director da Altran Portugal

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