Opinião

Impostos e muita resiliência

MIGUEL A. LOPES/LUSA
MIGUEL A. LOPES/LUSA

A discussão do Orçamento do Estado para 2020 dominou a semana económica, que culminou na aprovação do documento ontem à tarde.

A discussão do Orçamento do Estado para 2020 dominou a semana económica, que culminou na aprovação do documento ontem à tarde. Mário Centeno, ministro das Finanças, sai satisfeito desta primeira etapa (falta ainda a discussão na especialidade), mas a oposição nem por isso, bem como vários setores de atividade. É o caso, por exemplo, da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) que manifesta “profundo descontentamento” quanto à “nova penalização fiscal para o alojamento local”.

Esta atividade, aparentemente pequena quando está tanta coisa em jogo, permitiu não só recuperar as cidades como dinamizar o investimento imobiliário, criar emprego e disponibilizar rendimento extra às famílias, para fazer face às dívidas e aos anos de crise profunda que devoraram as suas pequenas poupanças.

A AHRESP considera que a proposta de lei “não contribui para a estabilidade fiscal na atividade do alojamento local e retira confiança aos seus empresários, que já têm de lidar com inúmeros custos de contexto que perturbam a sua competitividade”.

O agravamento dos índices de tributação no regime simplificado de IRS e de IRC, que passam de 0,35 para 0,50 é uma “medida da maior injustiça para todos os que investiram, recuperaram imóveis desocupados e abandonados e contribuíram para a regeneração urbana”, diz Ana Jacinto, secretária geral da instituição.

“É nesta fase de crescimento que devemos poupar”, disse ontem o primeiro-ministro durante o debate do OE2020 no parlamento. Poupar no Estado, sim. E as famílias, deverão poupar o quê, quanto e como? É que no privado há vários anos que os salários não são atualizados, os prémios e outros benefícios desapareceram (pelo menos desde os tempos da troika, se não antes) e com o custo de vida cada vez mais alto e os impostos nos píncaros fica difícil, para não dizer impossível, poupar para o futuro.

Quem também aponta o dedo aos altos impostos em Portugal é Paula Amorim, presidente da Amorim Investimentos e Participações. Um alerta à margem das cerimónias dos 150 anos da Corticeira Amorim. Ainda assim, afiançou: “Viemos para ficar e lançar as bases para mais 150 anos”. Resiliência, precisa-se!

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