Indústria. Linhas de produção sem pessoas

Fechar as escolas era inevitável face à galopante pandemia, que coloca Portugal entre os piores países da União Europeia e do mundo, quer em termos de contágios quer em termos de mortes por milhão de habitantes. Controlar a pandemia exige tomar medidas drásticas, com um custo económico gigante, mas que é necessário. Encerrar os estabelecimentos de ensino protege os professores, os pais e avós e, claro, os próprios alunos. Afinal, as crianças, adolescentes e jovens adultos estão a ser, nesta fase, um alvo fácil para o coronavírus, ao contrário do que aconteceu na primeira vaga da pandemia, em março do ano passado.

A decisão do governo é aplaudida por associações de pais e por alunos, mas a opção de nem sequer ativar o ensino online gera, pelo contrário, forte descontentamento entre os agentes económicos. Os patrões estão à beira de um ataque de nervos, porque a declaração oficial de impor um período de férias escolares por 15 dias vai obrigar os trabalhadores - que são pais e mães - a uma dinâmica completamente diferente daquela que teriam, caso os mais novos estivessem ocupados com a educação e formação, ainda que à distância de um clique ou de um ecrã de televisão.

Os empresários da área industrial, em particular, sentem-se "de mãos e pés atados", relatam. É que uma boa parte dos seus trabalhadores veem-se forçados a ir para casa para tomar conta dos filhos que estão sem o que fazer, a gozar um descanso forçado. A situação da indústria é, talvez, a mais difícil de gerir no seguimento desta decisão governamental. Explicam, e com razão, que as linhas fabris não funcionam apenas com metade, um terço ou um quarto dos funcionários. As linhas de produção, mesmo nos casos em que já estão muito automatizadas, foram desenhadas e construídas para um número exato de operários; tirar algumas peças ao longo de toda a cadeia é, em alguns casos, o mesmo que parar a linha, parar de produzir, parar de exportar e de criar riqueza para o país.

A Autoeuropa é um dos casos e o exemplo do que estão a passar muitas outras empresas, de norte a sul de Portugal. O fabricante automóvel foi forçado a fechar três dias e a cortar turnos, após a suspensão das aulas. A empresa não antecipa um encerramento total que vá além destes dias, mas teve de ajustar-se para continuar a laborar, ainda que com serviços muito abaixo do que é habitual e razoável, para um investimento desta dimensão. Ontem foi tempo de fechar portas na fábrica da Volkswagen, em Palmela. Nos próximos dias vão reorganizar trabalho, dentro do que é possível, e permitir que os funcionários se ajustem à nova realidade escolar que foi anunciada na quinta-feira pelo primeiro-ministro.

Também na agricultura podem faltar braços para tratar dos campos e das linhas de agro-indústria. Há setores que nunca podem parar, como é o caso da produção de alimentos, e que já pedem ao ministro da Educação para voltar atrás e permitir o ensino online. Com portátil, telemóvel ou tele-escola na RTP, o ensino é preciso e os patrões agradecem.

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