Inflação bate recorde de 30 anos. Veio para ficar? 

Não, a elevada inflação não dá sinais de ser apenas conjuntural! Em junho acaba de tocar a fasquia dos 8,7% e trata-se da taxa mais alta em quase 30 anos. A estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística mostra a verdade dos números. Desde dezembro de 1992 que os portugueses não sentiam na carteira um peso tão grande desde indicador devorador do poder de compra.

As más notícias para famílias e empresas não se ficam por aqui. A estimativa rápida de junho do Índice de Preços no Consumidor mostra que o indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) terá registado uma variação 6%, o valor mais elevado desde maio de 1994. Em maio fora de 5,6%. No caso crítico dos produtos energéticos, que dispararam com a guerra, indica o INE que a taxa de variação homóloga está nos 31,7%, que compara com os 27,3% do mês anterior. O número agora atingido é o mais alto desde agosto de 1984, ou seja, desde há 38 anos. Há mais informação que nos deve obrigar a ficar atentos: no índice dos produtos alimentares não transformados a variação está em 11,9% em junho, contra os 11,6% de maio.

Mas vamos agora ver os últimos 12 meses: estima o INE que a variação média do Índice de Preços no Consumidor para esse período esteja a tocar os 4,1% em vez dos 3,4% de maio. E, já agora, que o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor teve uma variação homóloga de 9% (8,1% em maio).

Na prática está tudo a subir. Na prática continuamos a perder dinheiro em todas as frentes, desde as compras que fazemos em géneros alimentícios até à gasolina.
É certo que vamos ter de esperar até ao dia 12 de julho para conhecer os dados definitivos e oficiais sobre a taxa de inflação de junho, mas a estimativa rápida revela o que os portugueses já sentem e comentam no seu dia-a-dia: com o mesmo dinheiro compram agora muito menos.

A 24 de fevereiro de 2022 começou a guerra na Ucrânia. Pouco depois, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que os efeitos na inflação eram meramente conjunturais. Mas o tempo vai passando. Já lá vão quatro meses de conflito armado e a guerra pode prolongar-se no tempo, como anteveem muitos analistas internacionais. Assim, os economistas temem que o efeito passe a estrutural. Regressarão antigas expressões populares como "a vida está mais cara", "o povo não aguenta" ou "é preciso apertar o cinto lá em casa"?

Jornalista

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