Opinião

Integração TI – Onde ?

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

No início da minha atividade profissional trabalhei no Rádio Clube de Moçambique como Assistente de Produção de Programas. Cheguei a ter Cartão de Jornalista.

Nessa altura produzia três programas semanais para o RCM. Um genérico sobre a atualidade e dois outros sobre música.

Um dos meus colegas que tinha era “sonorizador”. A sua responsabilidade era garantir que os programas criados por mim tinham um ambiente sonoro adequado. Era um grande apreciador de música e também da tecnologia a ela inerente em termos de gravação e reprodução de som.

Foi a primeira pessoa que discutiu comigo se era melhor comprar uma aparelhagem completa, integrada em pacote, ou comprar peças e depois integrá-las por nossa conta. Na altura a discussão era relativa à aquisição de sintonizadores, gira-discos, gravadores, colunas, etc.

Esta problemática veio a atravessar toda a minha vida enquanto profissional no contexto da Gestão de Tecnologias de Informação.

Deve uma empresa adquirir a um só fornecedor uma solução TI integrada que inclua ainda serviços de customização ou deve adquirir várias peças base a diversos fornecedores e depois integrar e customizar em casa.

Quem deve ser o integrador? O fornecedor ou o comprador?

Quem aposta em ser comprador-integrador acha que assim pode adquirir as melhores peças individuais (best-of-breed) aos melhores especialistas e construir a solução totalmente à sua medida com recursos próprios.

Quem aposta em adquirir a solução completa a um fornecedor-integrador acha que o esforço de compatibilizar as peças individuais entre si e com a sua realidade interna não deve ser seu e quer ter uma solução que venha garantida de base e como um todo.

Quais são os prós e contras para o comprador?

Se deixar para si a tarefa de integração terá normalmente de despender mais tempo e custo:

  • Na seleção das peças individuais (best of breed);
  • Na compatibilização e integração das peças umas com as outras e com a sua realidade interna;
  • Na resolução de problema de integração e suporte que começa logo na identificação “de qual a peça/fornecedor” que está na origem do problema. O mais normal é ouvir cada fornecedor dizer que o problema “é do outro”;
  • Na continuidade da solução quando as várias peças evoluem a ritmos diferentes em atualizações pondo em risco a integridade do todo.

Na verdade, só avança para a integração, o comprador que acha que tem uma equipa interna disponível, em quantidade e qualidade, para todos os desafios que derivam dessa postura. E acaba, obviamente, por ser o único utilizador da “sua solução”. Não creio que é neste âmbito que se acrescenta grande competitividade e diferenciação.

Quem deixa a integração para o fornecedor, preferindo lidar com integradores de sistemas, espera:

  • Economizar tempo e custo na procura das peças e no esforço de integração – a solução será potencialmente mais barata porque o custo de desenvolvimento será repartido por múltiplos compradores;
  • Viver com uma solução que vale mais da qualidade do todo do que das suas peças individuais;
  • Obter experiência e garantia do fornecedor no enquadramento e customização e integração da solução na sua realidade interna concreta;
  • Obter garantia global na funcionalidade da solução integrada – no momento da aquisição e durante a sua vida útil;
  • Ter um só interlocutor quando precisa de obter suporte para problemas, melhorias e atualizações;
  • Ter acesso a uma comunidade de utilizadores da solução que disponibilizem experiências partilháveis.

Acho esta opção a mais correta e viável. Estejam os IS – Integradores de Sistemas/Soluções à altura das suas responsabilidades.

Durante o meu percurso profissional sempre fui um defensor de que a melhor postura de mercado para um fornecedor (alargado) de Tecnologias de Informação é a de IS. Era a melhor forma de responder aos desafios apresentados pelos clientes.

No entanto isso coloca aos IS grandes desafios como sejam o de procurar, conhecer e selecionar produtos base (ou ainda desenvolver alguns), ferramentas e metodologias de integração. E por fim, ter uma abordagem consultiva aos clientes que permita o melhor ajuste entre as duas realidades – a da solução vendida e a do cliente que a compra.

NOTA: Acabo de ler a Biografia Oficial de ELON MUSK, fundador da Paypal, Tesla e SpaceX entre outras empresas. Recomendo. Mas a sua experiência contradiz de certo modo o que defendo neste artigo. Elon Musk preferiu em muitas circunstâncias desenhar, desenvolver e integrar soluções “em casa” fruto de várias circunstâncias. E tem saído vencedor… mas não me fez mudar de opinião. É da regra – há sempre exceções!

Luís AP Deveza, Consultor de Gestão e TI

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