Opinião

Inteligência Artificial no setor das utilities

Robot

Estima-se que, em 2022, cerca de 52% das tarefas serão realizadas por robôs, cerca do dobro dos atuais 29%.

A Inteligência Artificial passou a acompanhar-nos no nosso dia-a-dia: das assistentes virtuais, como a Siri ou a Alexa, aos carros autónomos, e passando por processadores de imagens, são várias as suas aplicabilidades. O que antes apenas conhecíamos em filmes de ficção científica e considerávamos distante, é agora uma realidade que tem vindo a evoluir rapidamente.

Estamos numa fase de crescimento rápido, em que inclusivamente se discutem os pilares da IA. A UE, por exemplo, pretende criar já em 2019 um guião ético para o desenvolvimento deste tipo de soluções.

Sem entrar em grandes detalhes técnicos, podemos definir Inteligência Artificial como: a utilização de algoritmos capazes de processar grandes quantidades de informação, de forma a aprenderem comportamentos e preverem situações, aumentando a automação dos mecanismos e eficiência de processos. A qualidade dos resultados está proporcionalmente relacionada com a quantidade e diversidade de dados disponíveis.

Estima-se que, em 2022, cerca de 52% das tarefas serão realizadas por robôs, o que representa cerca do dobro dos atuais 29%. No entanto, a chegada da IA não irá substituir a presença humana, e prevê-se que em 2020 sejam criadas mais de dois milhões de novas oportunidades de carreira.

Ao nível da economia global, estima-se um crescimento de 14% em 2030, o equivalente a cerca de 15.700 mil milhões de dólares, com a China na linha da frente (25%). Um valor que resultará do aumento de produtividade, qualidade, personalização e otimização de tempo.

No setor das utilities, a IA tem vindo a revelar-se uma ajuda promissora. São já vários os exemplos da sua utilização: otimização de processos, previsão da procura com base em tendências de mercado, assistentes virtuais, gestão de casas inteligentes, otimização de manutenção de infraestruturas, entre outros.

Relativamente ao setor da energia, várias áreas apresentam um grande potencial para aplicação da IA, como por exemplo:

a) Manutenção preventiva das infraestruturas: algumas empresas já o fazem com recurso a drones autónomos com posterior dispatching de equipas de manutenção, por exemplo.

b) Otimização na oferta/procura de energia, com recurso a análise de padrões de consumo, previsões meteorológicas, etc.

c) Contadores e painéis solares inteligentes conectados a sistemas centrais autómatos da habitação, com disponibilização de consumos em tempo real, permitindo a redução de custos, melhoria na estimativa da procura ou até mesmo a realização de microtransações de energia produzida não utilizada.

Se a curto-prazo a IA é vista como uma forma de aumentar a eficiência dos processos, reduzindo custos e desperdício através do aumento de poupanças de tempo e energia; numa perspetiva a longo prazo é vista como uma janela de oportunidade em inovação. Ainda assim, só acontecerá se conseguirmos garantir um scale up destas aplicabilidades.

Na próxima geração da IA certamente existirá um maior foco em ensinar pequenas regras aos algoritmos existentes que, por sua vez, serão capazes de gerar a sua própria base de dados, recolhendo a informação que necessitam ou extrapolando resultados de pequenas amostras existentes de outros sistemas.

As aplicabilidades da IA são cada vez mais abrangentes e recorrentes, representam uma enorme variedade de oportunidades para pessoas e empresas. No entanto, estamos longe de assistir a uma total equivalência à inteligência humana pois, apesar de o seu potencial ser inegável, existe algo que a IA certamente não conseguirá aprender, calcular ou simular: a emoção.

Filipe Rodrigues05

Filipe Rodrigues é manager na área de energia, utilities e recursos naturais da Accenture Portugal

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