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Opinião. Inteligência Artificial: tecnologia do futuro ou moda passageira?

arlindo

A atual onda de entusiasmo pela IA tem a ver, principalmente, com tecnologias que permitem aos computadores aprender a partir de dados

A Inteligência Artificial (IA) tem sido alvo de grande atenção nos últimos anos, posicionando-se como a tecnologia do futuro que, segundo alguns, resolverá todos os problemas e, segundo outros, criará uma revolução sem precedentes na nossa sociedade, com sérios impactos negativos.

Como de costume, a verdade está, provavelmente, no meio destas duas possibilidades. O que se designa por IA é, de facto, um grande conjunto de tecnologias, que partilham uma característica comum, um comportamento inteligente perante novas situações. A IA tradicional aborda, principalmente, problemas complexos de planeamento, logística e representação de conhecimento. Algumas empresas portuguesas, entre as quais é de realçar a SISCOG, baseiam a sua tecnologia nesta abordagem, resolvendo problemas de grande importância económica e social.

A atual onda de entusiasmo pela IA (que é apenas a mais recente, já que já existiram diversas outras ao longo das últimas décadas) tem a ver, principalmente, com tecnologias que permitem aos computadores aprender a partir de dados, evitando a programação detalhada de todos os pormenores de um determinado procedimento.

Esta área, que geralmente se designa por aprendizagem automática (em inglês, machine learning), permite usar os grandes volumes de dados gerados por modernos sistemas de informação para treinar sistemas que reconhecem padrões e tomam decisões com base nesses padrões.
Empresas como a Feedzai, a Vision-Box e a Unbabel usam estas tecnologias (entre outras) para conseguir resolver complexos problemas nas área da segurança das transações, do reconhecimento de faces e da tradução automática. É muito provável que a aprendizagem automática venha a encontrar muito mais aplicações, nos mais diversos domínios, incluindo os serviços, os transportes, a comunicação social e a educação.

É mesmo possível que um número significativo de empregos venha a ser tornado redundante pela adoção destas tecnologias. Essa possibilidade tem dado azo às numerosas notícias que lemos sobre os riscos para o emprego que são criados pela IA. No entanto, estes desenvolvimentos tecnológicos irão também criar numerosas novas oportunidades (e empregos) para as empresas que decidam utilizar a IA para projetar novos produtos e serviços. Ao contrário do que se passava há uma década atrás, neste momento as tecnologias de aprendizagem automática estão acessíveis a qualquer profissional minimamente qualificado, que saiba configurar e usar um dos numerosos pacotes que estão publicamente disponíveis, muitos deles criados pelas grandes empresas do ramo, como a Google, a IBM, a Microsoft ou a Amazon.

Está nas nossas mãos definir se a IA virá a ser uma oportunidade ou uma ameaça. O resultado dependerá, essencialmente, da nossa capacidade de iniciativa, da qualidade dos nossos recursos humanos e da capacidade das entidades reguladoras para adaptarem a complexa legislação existente, salvaguardando os direitos essenciais mas não fechando o mercado à inovação e à criação de valor. São desafios grandes, que temos de ultrapassar, sob pena de perdermos a competitividade que é tão essencial numa sociedade global.

Presidente do Instituto Superior Técnico

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