Opinião: Rosália Amorim

Investimento aquece, arrefece… e amanhã logo se vê?

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O investimento empresarial deverá crescer 3,9% em 2019. Aparentemente é uma boa notícia, mas representa uma desaceleração face ao boletim estatístico anterior, revelado ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Antes, o boletim estatístico de outubro de 2018 apontava para um crescimento do investimento empresarial na ordem dos 4,4%.

O relatório agora divulgado indica que, no ano passado, o mesmo indicador situou-se nos 4,7%. Em relação aos valores de 2018, o INE mostra que só as empresas com menos de 50 funcionários (1º escalão) não contribuíram para o aumento do investimento, sendo que as instituições com 500 ou mais empregados registaram uma subida de 7,5%.

Outro dado importante: o INE revela que, em 2018 e 2019, as empresas vão apostar na racionalização e restruturação das suas operações, com destaque para o alargamento da capacidade de produção.

Já o maior fator de limitação de investimento continua a ser a confiança. Isso mesmo. As perspetivas de vendas estão a deteriorar-se e há um sentimento de incerteza em relação à rentabilidade dos investimentos já assumidos. Este é o lado das empresas. E do lado do Estado?

Curiosamente, um dia antes de ser conhecido este relatório do INE, o governador do Banco de Portugal alertava para a passagem de custos de investimento para gerações futuras. Carlos Costa falou da transferência de custos de investimentos “que deviam ser suportados pelas gerações presentes” para as gerações futuras, numa conferência sobre financiamento sustentável na Fundação Gulbenkian. E acrescentou que “o sistema financeiro pode exercer um papel disciplinador, ao exigir um retorno”.

O governador considerou que a questão da sustentabilidade financeira “é uma tarefa dividida entre a área política” e os “supervisores e reguladores” e apelou para “que não se peça ao sistema financeiro aquilo que não pode fazer” neste campo. “Não há desenvolvimento sustentado sem uma política social, ambiental e de governo que também seja sustentável”, asseverou Carlos Costa, reconhecendo que esse caminho evolutivo “pode demorar muitos anos, mas alguém pode pagar depois”. A intervenção do governador do BdP antecedeu a assinatura da Carta de Compromisso para o Financiamento Sustentável em Portugal, que envolveu várias entidades, incluindo os principais bancos.

Seja no privado seja no público, a sustentabilidade é determinante para preparar os anos vindouros. Disparar em todas as direções, por motivos que não os racionais económicos, não dá saúde nem futuro aos investimentos. Nem mesmo quando é apenas a política a definir a regras.

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