Investir na sustentabilidade ambiental

No ano que fica marcado pela maior quarentena da história da humanidade, a comunidade internacional procura ainda compreender o total impacto estrutural a nível do mundo como o conhecemos até 2020. Certo é que as exigências que poderá exigir à sociedade enquanto persistir deverão criar elevados desafios numa série de frentes, seja a nível da sociedade na forma como os países, instituições e cidadãos interagem entre si ou ao nível dos hábitos e costumes de cada indivíduo, seja ao nível das economias, na forma como a cadeia de produção irá sobreviver durante este período.

Ou mais importante ainda, na forma como nós nos adaptaremos a esta realidade que marcará também uma mudança acentuada no mercado de trabalho. As respostas a estas exigências de âmbito económico deverão assentar em larga medida numa acelerada implementação de soluções disruptivas, onde a automação, o carbono zero e evolução digital deverão imperar como solução incontornável. Estas soluções estão já nos planos de recuperação das economias europeias, e poderão constituir o DNA das economias desenvolvidas.

As respostas das instituições aos efeitos económicos da pandemia tiveram numa primeira linha que ser dirigidos à proteção do emprego, que é de grande importância para minimizar desde logo os impactos sociais e económicos das famílias numa altura com pouca atividade, e desta forma evitar também uma deterioração ainda maior da confiança ao consumo, induzida pelo agravamento da incerteza relativamente aos postos de trabalho durante esta fase. Os apoios desta fase são essenciais para evitar a rutura social - quase como uma espécie de seguro de incêndio - mas numa segunda fase será importante criar a reestruturação de médio prazo das economias. E este futuro aponta para a implementação da sustentabilidade ecológica e económica, digitalização e descarbonização energética. A resposta europeia à crise - uma das regiões mais penalizadas - para medidas de contenção imediatas e com vista à recuperação a partir de 2021, somará 1,3 biliões de euros em instrumentos globais, incluindo os três mecanismos de curto prazo - linha de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade, linhas do Banco Europeu de Investimento e SURE para o mercado laboral - com um montante de 540 mil milhões, e o Fundo de Recuperação agora proposto de 750 mil milhões de euros. A solução permite não só agir numa lógica de curto prazo, mas também em termos de reforma da economia europeia de maneira a permitir o crescimento de longo prazo, através de maiores compromissos com a economia circular, o crescimento sustentável, e a aposta em tecnologia e energias limpas.

Também nos Estados Unidos, caso se verifique a vitória do candidato Democrata Joe Biden, uma agenda similar será implementada. Uma agenda de transição da economia tradicional para digital e comprometida com os objetivos de sustentabilidade ambiental, poderá valer um pacote programa de incentivos fiscais de enorme dimensão (2 triliões de dólares). Esta solução assentará num plano de infraestruturas que pretende implementar a utilização de energia sem carbono nos setores de transportes, energia e construção ao longo dos próximos 5 anos, e gerar empregos nos setores de energia limpa suficientes para contrariar os impactos nefastos criados na economia pela pandemia.

Tendo isto em mente, a perceção crescente por parte de empresas, governos, cidades e instituições da importância de atingirem metas de sustentabilidade ecológica poderá até transformar-se num catalisador para que estas entidades adquiram uma maior visibilidade e atratividade pela liderança na conquista de objetivos relativos a esta temática. No que diz respeito também aos mercados financeiros, também os investidores irão antecipar a perceção de quais as empresas que nas próximas décadas serão mais capazes de liderar esta agenda, e ganhar com isso maior quota de mercado, e consequentemente melhores resultados e dividendos financeiros. O investimento em aplicações ou fundos dedicados ao tema da sustentabilidade já não são uma novidade, existe uma oferta interessante e que pode representar o melhor veículo para aplicar parte das carteiras num investimento de lógica temática de bastante interesse para as próximas décadas.

Existem claramente dois capítulos neste processo de recuperação das economias mundiais a ter em conta. A primeira fase deve ser particularmente forte, o que é perfeitamente compreensível, pois é impulsionada pela flexibilização das medidas de bloqueio. Isso elimina muitas das restrições que pesam sobre a produção e os gastos. Os aumentos mensais sequenciais na produção dão origem a grandes efeitos de base na comparação do crescimento em cada trimestre com o anterior. Isso implica que, após um desempenho exemplar no terceiro trimestre, o quarto trimestre poderá beneficiar desse efeito residual, que pode - mesmo com restrições - estender-se até 2021. Depois disso, o crescimento terá de encontrar suporte na procura, que terá diferentes ritmos nas diversas geografias.

João Guerra de Sousa, Marketing Manager do Bison Bank

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