Investir no futuro do país

Estamos a pouco mais de uma semana das eleições legislativas, marcadas para 30 de janeiro, e a campanha eleitoral segue em lume brando, animada por polémicas estéreis e horas de debates televisivos em que pouco se falou do futuro (para lá dos cálculos e conjeturas da solução governativa a formar no dia seguinte ao escrutínio). Das 21 forças políticas em disputa, boa parte não tem programa eleitoral que se conheça - até entre alguns partidos atualmente com representação parlamentar (escuso-me a citar nomes) - ou nele não se encontram sequer umas breves linhas dedicadas ao ensino superior, à ciência ou à transferência do conhecimento para a sociedade.

Isso é, no mínimo, preocupante. Mesmo o mais impreparado dos candidatos políticos deveria ser capaz de entender a importância estruturante deste setor.

Entre os restantes partidos, há muitas propostas, boa parte delas requentadas: aumento do investimento no ensino superior; reforço da ação social (em particular, no alojamento acessível para estudantes); revisão do RJIES (Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior) e das dinâmicas de eleição e funcionamento dos órgãos de governo das instituições; oferta de autonomia quase absoluta das instituições; alteração da forma de acesso/admissão de estudantes provenientes do ensino secundário; garantia da sustentabilidade do sistema cientifico; promoção da investigação interdisciplinar em áreas estratégicas; fortalecimento do ecossistema de inovação e apoio a transferência de conhecimento para a economia... Concorde-se ou não (e é possível concordar com muitas delas, talvez não com todas), o mais importante é discuti-las - sem esquecer o subfinanciamento crónico do setor, assunto transversal a muitas destas medidas. E julgo que é essa discussão que tem faltado à campanha.

As instituições de ensino superior desempenham um papel determinante no desenvolvimento de Portugal, seja através da formação e da preparação para a entrada no mercado de trabalho dos quadros superiores que vão marcar o futuro nos mais variados setores de atividade seja através da produção científica e transferência de conhecimento para a sociedade (muitas vezes numa lógica de parceria com os mais variados atores). Por tudo isso, seria bom ver os intervenientes nesta campanha eleitoral contribuírem mais ativamente para a discussão sobre que ensino superior queremos ter - até porque este setor é determinante para o crescimento económico do país. Não esqueçamos: investir nas universidades e institutos politécnicos deste país é investir no futuro do país.

Reitor da Universidade de Coimbra

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