Já viu quanto IVA pagou hoje?

Desde os tempos em que a troika foi chamada para nos tirar do buraco que não acontecia um corte tão significativo na quantidade de alimentos comprados pelos portugueses. Sinais de pobreza à vista. Mas desta vez, a realidade é ainda mais negra: é que comprar menos não significa que se poupa. Apesar de já estarem a cortar na comida, os portugueses estão a gastar muitíssimo mais dinheiro do que há um ano. A subida registada até setembro, acima dos 13% de incremento nos gastos, nunca conheceu um pico tão acentuado.

Conforme os preços sobem, claro, sobe também o valor que pagamos em impostos. São as tais cobranças invisíveis - o produto está mais caro, logo a base sobre a qual recai o IVA aumenta. E isso vai direitinho para os cofres públicos, é receita pura. Dos 6% adicionados ao preço do peixe aos 23% cobrados aos preguiçosos que já o levam para casa cozinhado.

O próprio governo o admite: à boleia da inflação, o Estado arrecadou mais 20% no valor dos impostos do que há um ano, beneficiando em especial da generosa torneira do IVA, através da qual nos levou, em cada 100 euros de imposto pago, mais 25,7 euros.

Apesar de ter passado relativamente ao lado da maioria dos portugueses, está lá, preto no branco, na síntese da execução orçamental: "Relativamente aos impostos indiretos, comparativamente com o período homólogo, destaca-se o aumento de receita fiscal (+13,5%), impulsionada pelo crescimento da receita do IVA (+25,7%)." Em termos acumulados, a receita adicional em IVA cobrado aos portugueses já ultrapassa os 3 mil milhões. Ou seja, quase metade dos cerca de 7 mil milhões que já pagámos a mais em impostos.

O mesmo governo que se faz valer de argumentos de justiça social e retribuição de lucros que adjetiva de excessivos já nos tirou dos bolsos mais 7 mil milhões de euros do que no ano passado, só até outubro - ainda sem contar com os picos de consumo que chegam no mês da Black Friday e do Natal e Ano Novo. E boa parte deles foi cobrada sem darmos por isso, por exemplo, nas compras que fazemos no supermercado.

Pode-se entender que os custos e os impostos adicionais que pesam sobre todos os elementos da cadeia de distribuição - desde o pescador que precisa de gasóleo para a traineira ao agricultor que não tem como fazer face aos custos energéticos, passando pela transformação, transporte, etc. - deixem os produtos mais caros.

Já os impostos são receita limpa de custos, que vão alimentando o brilharete nas finanças públicas e de vez em quando servem para financiar uns cheques de 125 euros para distribuir pelo povo. Mas essa fonte está a secar tão rapidamente quanto os bolsos das famílias se esvaziam. De onde virá o dinheiro quando as ajudas se tornarem inevitáveis? O que não houver para tirar da tesouraria de empresas e trabalhadores, há de voltar a engordar a dívida. E as condições em que isso acontecerá são fundamentais para a sobrevivência da economia. É por isso que o governo tantos esforços dedica a controlá-la - mesmo que o faça à custa do nível de vida de cada um de nós

SOBE & DESCE

SOBE: António Mendonça Mendes, secretário de Estado Adjunto do PM

No meio do desastre governativo a que assistimos diariamente num governo de maioria absoluta que todas as semanas tem um novo caso nas páginas dos jornais, a subida de Mendonça Mendes a adjunto de Costa chega como uma nota positiva num cenário lamentável. Talvez tendo ao lado alguém que conhece profundamente as contas públicas e que sabe, desde os tempos de Centeno nas Finanças, quais são as fragilidades do país, possa ser mais honesto na visão do que aí vem e mais temperado nos ímpetos populistas de distribuir cheques de 125 euros que não resolvem coisa nenhuma - nem a quem precisa de apoio nem a quem dele não tem verdadeiramente necessidade.

DESCE: João Costa, ministro da Educação

PS, Bloco de Esquerda, PCP e Livre continuam convencidos que só quem frequenta os serviços públicos precisa de - ou deve - ser ajudado. Incapaz de entender ou aceitar que há quem faça enormes sacrifícios para assegurar a melhor educação possível para os seus filhos poderem apanhar o elevador social que tantas vezes o público não garante - e que isso pode obrigar a dar-lhes uma educação privada, onde não corram o risco de ficar um ano letivo inteiro sem professor de uma disciplina ou sujeitos a ter aulas em instalações medíocres e a esperar eternamente por computadores contratados para a pandemia e que ainda estão por chegar às salas -, ontem, a esquerda uniu-se para voltar a chumbar o alargamento da gratuitidade dos manuais escolares ao ensino privado. É a esquerda que se advoga o epíteto de defensora das igualdades a prolongar a injustiça social e a alimentar as desigualdades por puro e inaceitável preconceito ideológico.

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